sábado, 19 de dezembro de 2015

Caminhos




Fora de cogitação. Imprevisíveis atores desmancham-se em cores dispersas no ar, como que mar e morro, céu e nuvem, dia e noite. Em circos se apresentam contos verossímeis, mentes abundantes. Queimam os fogos de artifício. Artificies. Em vômito desmancham-se os congressistas, fascistas de ideias moralistas, fundamentalistas. Família é amar: assim como o peixe que não vive em aquário; ou o pássaro que não vive em gaiola. Dio no tengo nada, si no esta vida que esvai. E permanentes ideias higienistas de limpeza da mente, de negação da humanidade e seus erros [se errar não fosse humano, humano seria um erro] e meu partido não tem cor. Sou homem, mulher, bixa, carrasco de cabeças que não valem nada! Clandestino. Honesto. Bandido. Anti-herói. Ladrão. Meu coro varrido junto à poeira da porta, e uma poesia de escracho que resista mais uns dias, sendo que os dias e milênios se resume à mortes e enterros, sem eximir os nascimentos, mas que sem mortes e enterros não valeriam nada. O mesmo nada que ainda serei em meus versos. Aí. Você. Porco. Hipócrita. Vendido de partido por uns broches à mais, se verá livre de meu expurgo envenenado. Enquanto isso, morra esterilizado com a mesma política higienista que inseristes seus projetos fascistas de dominar o que ainda hoje, chamamos de Brasis.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Catracaço


Por Cristiano Sousa/ ANEL- Picos



Hoje os trabalhador@s tercerizados da UFPI/CSHNB, especificamente os trabalhadores do Restaurante Universitario, passam por uma situação no minimo grave. Como se não bastasse a precarização cotidiana, eles agora sofrem com atraso salarial de dois meses, além do atraso do tiquete alimentação. Os atrasos de salários, o assédio moral, à precariedade nos locais de trabalho não são novidades no nosso campus a muito tempo. Em 2013 os tercerizados, junto com os Estudantes se levantaram contra este mesmo problema ,a falta de respeito com a categoria, enfretando a Direção do Campus , Reitoria e a Direção Burocratica do sindicato da categoria, este ultimo foi forçado a se movimentar, oferecendo minimamente apoio juridico a categoria. È urgente que nos levantemos novamente contra esse atraso salarial. Neste sentido gostaria de Convidar/ Convocar os Centros Academicos, Dce, entidades estudantis e Independentes, bem como os tecnicos e Professores a uma unidade ampla e democratica em defesa dos Direitos dos trabalhadores, terceirizados do Restaurante Universitario.

Hoje em reunião com os terceirizados resolvemos organizar um catracaço, amanhã, as 10:00 Horas; nos concentraremos na frete do Restaurante Universitario para confecção de material, é de extrema urgência a presença dos Estudantes!. Pois, somente em Unidade com a classe trabalhadora podemos fazer a direção do Campus, Reitoria e a Empresa minimamente resolverem o problema. Segundo a empresa, a universidade não está repassando as verbas, e com isso devemos saber da Direção do Campus, se a informação confere, e como esse fato pode ser sanado.


UNI-VOS, ESTUDANTES E TRABALHADORES

Pré-encontro MML

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Estamos vivendo um aprofundamento de uma crise econômica e política em nosso país, bem como vários ataques da bancada fundamentalista do congresso querendo impor retrocessos aos direitos de mulheres, negras e negros e LGBT's. O governo da primeira mulher presidente e as medidas que ela tomou para ganhar o conjunto das mulheres trabalhadoras estão ruindo diante de nossos olhos. Tanto os ataques aos direitos trabalhistas que acabam com conquistas históricas dos trabalhadoras, aos quais muitas mulheres sequer tiveram acesso ainda, bem como as medidas de ajuste fiscal que retiram investimento das principais pastas sociais, afetam diretamente as nossas condições de vida.

Diante de tudo isso, vemos muitas organizações de mulheres, como a Marcha Mundial de Mulheres e as secretarias de mulheres da CUT e CTB, ainda argumentarem a necessidade de defender a permanência de Dilma em nome da democracia e construírem atos como o do último dia 03/10 que fazia críticas às medidas de Dilma, mas seguiu dando suporte ao governo. Isso quando grande parte da população já não aguenta mais tanto o governo quanto o congresso com seguidos ataques.


A nossa responsabilidade só cresce nesse cenário, temos que ter cada vez mais disposição e firmeza em nossa concepção para apresentar as mulheres trabalhadoras uma ferramenta que esteja a serviço do enfrentamento do machismo e da exploração capitalista. O Movimento Mulheres em Luta tem todas as condições para isso, pois está colado nas principais lutas de categorias que acontecem no país, está ao lado do movimento popular na luta por moradia, está junto com as mulheres jovens enfrentando os estupros e assédio nas universidades, está construindo os atos de luta contra a violência machista em diversos estados, está junto com as usuárias do transporte coletivo combatendo o assédio e a encoxada, enfim, o MML está se forjando cotidianamente nas principais demandas das mulheres trabalhadoras e é nesse espaço que temos que cumprir o papel de construir junto dessas mulheres uma alternativa independente para responder a crise e fazer com que não sejamos nós a pagar essa conta.

Portanto convocamos a mulherada de Picos para discutir nosso programa e os ataques constantes que temos sofrido, colocar toda nossa força de guerreiras a serviço da organização da classe trabalhadora e junto com isso preparar as bases para um 2º Encontro Estadual do MML ainda mais vitorioso que o primeiro, com o intuito de reorganizar o movimento e dar o caráter regional que tem sido construído por mulheres trabalhadoras e juventude ao longo dos anos no nosso estado.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Retrato dos maus tratos aos animais: público púbio e sociedade escrota

De grupo em grupo, a galinha vai pro saco. A galinha tem ovos de ouro e dá penas para as canetas que assinam um ou outro interesse vestido de lei, que convenhamos, não é meu, nem seu, mas de grande ironia das circunstâncias e confrontos de força física e intelectual entre todos e por todos os grupos sociais, nas relações uns com os outros, que nada tem em comum senão a humanidade e a miséria que fazem questão de coletivizar entre escolhidos, criaram e nos convocaram na polícia para aceitá-los a força. A galinha, como dizia, foi pro saco. E já não tem ovos de ouro, nem galinha, nem pato, nem porco. Todos caíram. Os gatos pretos vão pro saco. Os cães sujos vão pro saco. Maltratá-los ou matá-los foi a saída encontrada. Nada com nada, igual a nada. “Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar”. Prova disso, por outro lado, são as muitas pessoas que se solidarizam e ajudam a cuidar dos animais. Os trutas e espertos que contribuem com ração e assitência física, nem sempre serão os mesmos, mas sempre estarão por aqui. E a tendência é oficializar a comunidade de animais nos espaços de sociabilidade, de compartilhamento de ideias e conhecimento, e especialmente nos espaços que tendem a internalizar os bons tratos aos animais. Toda forma de amor é uma poesia, especialmente amor aos bichos que nos rodeia. “Essa festa é minha, aê, mas também é sua”.

sábado, 3 de outubro de 2015

musicalizaram o “negócio” do ensino


Metaforizando com palavras fora de linha, defronte mesmo de papel em tela plana LCD, escrevendo digitalizado tudo branco no preto, pude até dispensar licença poética, e escrevendo horizontalmente, transgrido: a injustiça; moral e cia, de uma companhia de atrapalhados – não sabe onde encontrar um infeliz mentalizando alguma coisa boa ou soando bem nos caminhos estreitos, que logo mandam trabalhar – que se acostumaram a mandar já sabemos, e como diria minha mãe – MANDA QUEM QUER, ESCUTA QUEM TEM OUVIDOS E SÓ OBEDECE OS IDIOTAS – e falharam linearmente até desaparecerem da história, e só não totalmente, porque eu sempre tenho a bondade de lembrar como eles são miseráveis. Mas como há muitos bobos no mundo, e muitos deles, senão todos, morrem mais felizes que qualquer esperto, e fica até difícil viver em todas as posições com essas reflexões, apesar de alguns – seres humanos – acharem uma boa estarem sempre afrente nas linhas hierárquicas, e logo, “competindo” e “competência” se transam em “unissignificado”, não dando um bom resultado, e ainda desvirtualizando as posições importantes, como se todas elas não fossem. Ética então: passageiro perdido. E as politissacanagens, tornam-se rotina. Um juiz comprado aqui, viral, em todo o país é assim. Pior só entre os “d'amputados” e “sentadores”, que ganham muito melhor que BEM, E ROUBAM MUITO MAIS DO QUE TRABALHAM E GANHAM JUNTOS. Enquanto isso, aqui na comunidade dos QUEBRADOS, continuamos subindo o morro, e as pedras – e não são as de crack – vendidas a trocados, tão pouco, que não sabem se dividem entre o pão e a cocada, ou só o chá para aliviar a ressaca na casa de taipa. Minha ressaca é de tanta frieza. E relembrando que a nossa condição é a mesma, somos um só corpo, um só organismo. Pretos, Brancos, Amarelos, Vermelhos e todas as Misturas, Religiões, Orientações Afetivo-Sexual, somos um só, e nas mesmas condições. E sofreremos juntos, até aprendermos juntos a respeitarmos as diferenças, sem levar em conta a hierarquia ou a posição privilegiado, deixando o complexo de superioridade e “todos os tratados minuciosos e cruéis” de lado. Enquanto isso, a banda toca, e eu: “tô me guardando pra quando o carnaval chegar”..

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

aos incrédulos..!


Deus criou o universo... e dentro do universo... a terra e todas as plantinhas (maconha também, foi Deus quem criou, Gen. 1:29)... aih... o homem... invenção divina... ou divina invenção... fumou a maconha com THC e TUDO MAIS... daí... o homem FICOU FELIZ... o demônio vendo a felicidade humana... proibiu a maconha... e inventou o traficante... aí... os homens começaram se matar... o demônio gostou muito do resultado da proibição e inventou a IGREJA UNIVERSAL para apoiar seus planos de intervenção na terra PROIBINDO TUDO AQUILO QUE FIZESSE O HOMEM FELIZ...

domingo, 16 de agosto de 2015


Poderia escrever os versos mais tristes essa noite... mas, não sou nenhum Neruda. Poderia falar do azul refletido nuns olhos, prefiro olhar o azul dos olhos que escrever sobre eles. Poderia falar da sede embriagada na noite escura e úmida. Poderia ouvir as estrelas que gritam desesperadas o caminho. Porém, sentir a noite me basta, os olhos secam-me a sede, a boca enche-me a alma. O chão transformou-se em céu.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A porta


A porta nunca teve culpa de tantas e tantas vezes ter seus vidros estilhaçados pela força do vento, o impacto, e todas essas explicações físicas que creio não ter domínio. Ela só quebrara todas aquelas vezes pelo desfecho natural de todo aquele sistema, que rugia para que a mesma se estilhaçasse. Outro dia, uma sábia professora doutora, dessas que se mete a governar, dissera que aquela porta quebrara porque havia sido um homem que a pusera. Mas não sabia a metida, mal entendida de porta e de governar, que não havia nenhum problema com a porta. A porta cumpria sua função de estilhaçar com o vento. Ela estava lá, quebrando, e a cada novo vidro que colocavam, ela quebrava. Mas a mesma existia e quebrava com uma rapidez tão voraz, cumprindo seu trabalho, e devia ser respeitada! Ora, deveriam eram todos se calarem diante da fugidia pródiga, sem questioná-la ou denegri-la, e estou aqui para reafirmar e legitimar essa coitada, sem POR, nem QUER. Afinal, essa honorável, é mais que muitos, afinal, ela cumpre a função que a compete, e muito bem. Gerando renda para o dono da vidraçaria, e sem falar em toda aquela mão de obra. E sem falar nas muitas semanas de trabalho e dinheirinho honesto para tanta gente boa e seus contratos e licitações. Tudo isso porque, da mesma forma, naquele mesmo local, que diga-se de passagem nunca precisou de porta, AQUELA PORTA cumpre sua função de se estilhaçar a cada semana, e enquanto a louca da professora metida a governar, acha que os homens é que não fazem as coisas direito. BOBINHA.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Carta ao magn.

É tão explícito o quanto as autoridades usam de maquiagens para disfarçar as rugas, que as rugas se tornam autoridades e a recíproca também é real.
[Silvano o poeta]


Lá no site da UFPI (Universidade Federal do Piauí), diz assim:

A UFPI, como descreve em seu sitio (http://www.ufpi.br/praec/index/pagina/id/3877 – acessado 15 de julho de 2015), propõe, através de suas pró-reitorias, nesse caso em específico, a PRAEC (Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários), garantia a moradia (ao estudante da UFPI), que se enquadre em seus quatro (es)quesitos de vulnerabilidade.

O que no entanto ocorre, é que como estamos em período de férias, a universidade, através de seus núcleos de (des)assistência estudantil, demonstra todo o seu teor de autoridade (claro, com cartas brancas das autoridades superiores) e desumanidade, convocando a retirada dos estudantes que não estejam cumprindo atividades acadêmicas no período de férias, inclusive passando ordens com esse aviso aos seguranças terceirizados, para que os mesmos possam impedir a entrada dos residentes não autorizados.


Bem, agora nossa análise inconclusiva (para que seja aberta a posteriores debates).

A REU que busca garantir moradia ao estudantes da UFPI em vulnerabilidade social, proveniente do interior do Piauí, e como constatamos, amplamente de outros Estados no caso da residência universitária de Picos, é a mesma que está convocando os estudantes a regressarem a seus Estados de origem, ainda que os mesmo estejam em vulnerabilidade social, a mesma espere que os estudantes garantam a suas passagens, alimentação e outros custos para essa viagem de recesso escolar (14 de julho à 07 de agosto), como definido no documento emitido pelo NAE (Núcleo de Assistência Estudantil).

O mais estranho nessa situação, é que para essas medidas de exclusão, os servidores técnicos do NAE estão bem presentes, mas no que desrespeita a medidas que venham a beneficiar e incluir os residentes e demais estudantes da UFPI, aí então, ficamos a mercê, e assistindo os avisos de GREVE DOS SERVIDORES e a (des)assistência dos projetos de inclusão da UFPI.

O que é necessário esclarecer aqui para a PRAEC e todas as AUTORIDADES da UFPI, é que, os residentes que passaram em processo para ingressarem na residência universitária de Picos, processo inclusive bem rigoroso e já cheio de burocracias, não precisam passar por outro processo para permanência em férias, isso já é garantido, afinal a REU garante a permanência. E nós residentes, não somos obrigados a estarmos na universidadau só a trabalho, as férias, ou o recesso (nesse são três semanas), é intervalo entre um período e outro para reorganizar as leituras, as propostas de projetos científicos e de extensão, as possibilidades de organização dos estudantes em núcleos de atividades extra curriculares, para o lazer, a recreação, o ócio. O que parece mesmo, é que a universidade quer fugir de sua OBRIGAÇÃO de garantir a permanência, alimentação integral, inclusão digital, entre outros direitos, que até hoje, ainda não conquistamos por inteiro, mas nós queremos por inteiro, e não pela metade.

Ps: Critérios para Concessão [bolsa para a residência universitária]: Dificuldade socioeconômica; Cursar em cada período letivo no mínimo 4 disciplinas; Ser proveniente do interior do Estado ou de outros Estados da federação; Não ser portador de curso superior; (O QUE FAZ AS AUTORIDADES DA UFPI, PENSAR QUE O BOLSISTA DA RESIDENCIA TEM R$ 500,00 (QUINHENTOS REAIS) PARA PASSAR O RECESSO ESCOLAR DE VINTE DIAS EM CASA COM A FAMÍLIA? E COM TODOS ESSES CRITÉRIOS PARA A CONCESSÃO DA BOLSA REU, EU AINDA NÃO POSSO TER O DIREITO DE PERMANECER NA UFPI EM UM RECESSO DE TRÊS SEMANAS?)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

tudo nosso

Encontrando a Família Cogumelo no centro de Picos, reconhecendo-nos, que maluco é ligeiro, e nunsegundos acendemos unzinho, fomos a feira e compramos algo para fazer algo para o almoço para lá de uma da tarde. E as duas já estávamos na casa da veinha. Tudo nosso.
Na sexta já interviram e misturaram cores e ideias, sons e sabores. Conversamos e nos reconhecemos na margem, com os pés descalços cantamos e fizemos ainda mais arte. O fim de semana mágico e de paralelismo... Longe do circo que passou... E no fim do fim, o PCC nega apresentações, é tão do mundo quanto nós.
E todo dia é dia. Sinto desapontar os que não sabem viver entroras, e observam, concluem e opinam. Prefiro os que fazem, e o mundo não só os prefere como os alimenta, habita, e transforma, e depende deles para se transformar tão profundamente, e reage. A noite percebe-se, as constelações não nos nega o mapa do céu. A caminho da estrada de leite caminhamos de pés descalços, malucos de estrada, a coragem não nos nega asilo, e teu canto preferido embala os passos e a recíproca.
A noite e madrugada a malucada transita, e soumalucomesmo.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Lua Cheia


Descansa rapaz, o mundo não cessa para te ver correr. Bate as cordas do violão. Anda a brincar com os gatos na rua. Se enche de lua.
.
...
sabes...
a camomila de noite
dando um sono
e um fininho
pra aliviar
a dor
do
m
u
n
d
o
.
.
.

terça-feira, 12 de maio de 2015

(a) casa (o) cesto (a) agenda ou o caso do cesto na casa da agenda




tem dias que agente não sente - nada contra os insensíveis - é que ainda não me acostumei a pisar em cacos. Lá vem a vida pequenina e brisa, vai longe quando se vê. Nas horas amenas balançando em redes vazias nem veem o passar das horas. Caminhando alegre nem caminha, nem alegre, nem caminha alegre. Caminha?

E passar das horas

vez e passarinho

pássaro

passar das horas


caminha a passos acelerada-remitente quase parando


ora

vai

ora

voa

ora

vem

sábado, 10 de janeiro de 2015

Sexta-feira de Outono


Rosa parou diante da porta e mexendo na bolsa tirou a chave e abriu a porta. Ao entrar foi como se algo a empurrasse para aquele móvel da sala onde estava o porta-retratos, olhou-o e relutou em se aproximar pensando que já deveria ter se livrado daquela foto. Sem conseguir resistir chegou perto e começou a chorar. Era como se o choro estivesse alí presente o tempo todo e somente necessitasse de uma pequena, qualquer mínima razão para se manifestar em lágrimas. Passando o choro tirou os sapatos e deixou-os num canto da sala, indo a cozinha deu uma boa olhada no que havia disponível na geladeira para a janta, chegou a conclusão que macarrão era o mais rápido e fácil para uma pessoa só e de repente lembrou do purê de batatas com bife quase sagrado nas sextas-feiras a dois. 
Decidido a janta foi direto para o quarto tirando as roupas no caminho e jogou-as no sexto para roupas sujas n'algum canto do quarto. Deitou na cama e quase sucumbindo ao cansaço e deixando-se dormir sem banho e sem janta levantou num pulo e escolheu uma música dançante, o ritmo da canção deu novo ânimo e o corpo obedecendo a impulsos desconhecidos começou a balançar, quando viu estava totalmente envolvida pela dança. Rosa sorriu. Como as músicas fazem bem a alma. Tomou banho e agasalhou-se, fazia frio aquela noite de outono. Botou a água no fogo e um barulho intenso que entrava pela janela da sala deixou-a preocupada, pensando em como eram comuns os acidentes naquela avenida movimentada porém logo o barulho cessou e Rosa sentiu-se confortada por estar em casa. 
Feito o macarrão, encontrou uma garrafa de vinho pela metade escondida no fundo da geladeira e animou-se com tamanho requinte para uma sexta-feira a noite tão solitária. A música ainda rolava ao longe, no quarto. Dispensou a mesa e foi para o sofá como de costume. Ao terminar lavou as pouquíssimas louças e foi pro quarto, agora tocava um música lenta, pegou um livro na estante e tentando concentrar na leitura só conseguia ficar a toa viajando em pensamentos que insistiam em tomar toda a sua atenção e que pareciam não ter ordem, pois, pensava no dia de trabalho, no compromisso de amanhã e principalmente na proximidade da data em que tudo ocorrera. 
Chorou novamente com a canção que se iniciava, não dava para não lembrar. Levantou-se e desligou o som. Retomou a leitura. Quando o sono enfim se tornou mais excitante que a leitura, levantou-se e foi ao banheiro escovar os dente. Deitou-se e aconchegando-se na cama sentiu falta de algo como sempre. A lembrança lhe tirou o sono e ficou acordada no escuro com os fantasmas a rondar seus pensamentos. Depois de muito rolar na cama a brisa morna que entrava pelas frestas da janela do quarto embalou seus sonhos. 
No dia seguinte de pé logo cedo arrumou-se, tomou só um café e antes de sair sentiu um arrepio, lembrou-se como sempre se sentia ao ir ao cemitério, não conseguia evitar, mas respirou fundo e saiu.