segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Para fechar com chave de ouro



Esse é o slogan do evento do último ano que veio no certificado desse ano



O certificado está com a data e nome do evento do ano passado. Imagine o nipe do evento.



Dê uma olhada... Não corresponde ao evento que fomos há duas semanas, na Universidade Federal do Piauí, Teresina, Piauí.
Queria enviar uma cópia de nossa correspondência para a Rousseff.
Junto com a carta "não nos mate antes dos 21, Rousseff", identificando os principais fatores da escalada para "Teresina 50ºC", num coletivo entre 50 e 80 Km/h, por cinco horas.

Chegando lá, fomos para o Centro Esportivo da UFPI, qual, segundo o motorista da UFPI, estaria disponível a nossa espera. O motorista, pois não havia um monitor conosco para essas orientações administrativas.
Centro de Treinamento, onde nos alejaram
Após, uma generalizada desorientação dos anfitriões, à nossa espera no alojamento para nos comunicar sobre quarto, alimentação e instalações para banho, fomos as pressas para a UFPI, pois o motorista tinha que voltar para a UFPI de Picos com ônibus que deveria ter ficado para nos levar do alojamento (Centro Esportivo) para a UFPI (Biblioteca Central, Refeitório Universitário, Rosas dos Ventos: Espaço de apresentação de trabalhos), que fica a uns 3 km.
Ônibus coletivo, oferecido pela UFPI, para a viagem de 310 km em Rodovia Federal
A qualidade do Refeitório Universitário da UFPI perde para qual quer cadeia estadual das mais sofridas nos interiores e capitais do Brasil. A Gráfica Aliança, contratada pela UFPI, que segundo um de seus funcionários, anonimamente, “foi beneficiada pela gráfica, pois os arquivos em POWER POINT, dos painéis, deveriam ter sido recolhidos e enviados pela Universidade, “mas a gráfica tentou ajudar a UFPI”, que fica em Timon – MA, e tendo os estudantes da UFPI que ir até a gráfica, localizá-la e voltar são e salvo para apresentar o trabalho para os senhores avaliadores.
Local de apresentação dos trabalhos
Para encerrar com chave de ouro, quando chego no alojamento após o almoço, sou orientado pelo segurança, que não poderia ficar no mesmo quarto que as mulheres, afinal, não era um procedimento correto. No entanto, foi o diretor do Centro Esportivo que nos providenciou uma sala para esticarmos nossos lençóis no chão, ou colchonetes infláveis, quem os tiver, e ficarmos juntos, homens, mulheres, “doze cabeças no total”, sem nenhum constrangimento. E voltar para Picos de coletivo, às 15:00 hrs, saindo de Teresina, 40ºC fora do ônibus, 50ºC dentro, foi a parte mais importante do passei, é quando o nível de descaso chega às últimas [nos enganamos], as cadeiras quentes e duras, me fazem sentir cólicas abdominais até hoje, duas semanas depois do passeio.

A caminho do alojamento após o almoço
Parabéns Universidade Federal do Piauí, pelo bom trabalho, e parabéns pelas derrotas no campus de Picos, com seus grupos comprados, tentando a direção do campus e o Diretório Central dos Estudantes, sinto nada, quase  nada, e vocês perderam e vão perder muito mais!


sábado, 10 de novembro de 2012

Documentário?


O que é um documentário?

Quais as questões que devo levantar?

Como relacionar ideias?

E posso finalizar?

Acordes historiográficos



Ricouer em suas reflexões, afirma que a História como um gênero dialético onde se confrontam, interagem vários pólos, como: o mesmo e o outro, presente e passado, explicação e compreensão, objetividade e subjetividade.
Quando se debruça sobre questões historiográficas leva em consideração conceitos de categorias como tempo, narrativa, memória, constituindo tema sutil jogo das lembranças e esquecimentos.
Ricoeur pode ser considerado um pensador múltiplo, pois o seu pensamento teórico incorpora perspectivas variadas como a Fenomenologia, a Hermenêutica e o Historicismo, fazendo a interdisciplina com o Existencialismo Cristão e com abordagens que vão da filosofia reflexiva à filosofia analítica, em momentos diferentes da sua história intelectual.
O termo de “acordes teóricos” seria apenas uma metáfora (termo usado na linguagem musical para definir a junção de notas diferentes) usada para explicar o encontro entre Historicismo, Hermenêutica e Fenomenologia. Num primeiro momento, interagiu com autores ligados ao Existencialismo. Num segundo momento, pendeu-se para Hermenêutica.
Para J. D’Assunção Barros, buscar o acorde geral de Ricoeur seria impossível para alguns pensadores, não aqueles que são notadamente monódicos ou cuja trajetória bibliográfica primou por uma perspectiva cumulativa.
Ricoeur manteve diálogo com o existencialismo cristão, ligado ao filósofo Kierkegaard, e dá uma centralidade, que traz uma angústia no seu modo de sentir e pensar, que ele mesmo autodefine como cristão e confere um cromatismo especial ao seu acorde teórico. Por conseguinte, o Paul Ricoeur não é genuinamente um existencialista cristão, porém é inegável a influência por ele recebida dessa forte corrente de pensamento.
O existencialismo traz preocupações diversificadas na maneira de ver para os diversos filósofos que sobre ele pensaram.  Em Keirkegaar, a preocupação central era a relação torturante entre a dúvida e a fé. Em Heidegger, a angústia é trazida pela consciência da finitude, à qual não pode escapar nenhum ser humano. Em Sartre, a angústia está concentrada na escolha de ser ou não livre, porque o homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo. Em Ricoeur não existe uma angústia que seja o centro do seu pensamento, mas há uma consciência trágica sobre a vida, tanto que na sua crítica o existencialismo é uma nota importante no seu acorde teórico.
Outra nota de influência incorporada pelo acorde teórico de Paulo Ricoeur é aquela que o liga à moderna fenomenologia de Edmund Husserl. Esta é uma nota que certamente se modifica ao ser agregada a um acorde como o de Paul Ricoeur, uma vez que a fenomenologia de Husserl passa a ter que conviver com uma historicidade relativista originalmente estranha, o que fez com que o próprio Ricoeur tecesse a sua crítica, quando a fenomenologia perdeu sua intensidade pela sua aproximação com o estruturalismo. Depois a fenomenologia retorna com sua intensidade assumida como uma fenomenologia hermenêutica.
Com isso pode-se dizer que a nota fundamental do acorde teórico de Ricoeur continua a ser o historicismo, haja visto revelar profundo conhecimento acerca da pesquisa e da prática historiográfica, que incorporou a objetividade e a subjetividade no ato de fazer historiografia, tendo incorporado posteriormente ao seu circuito de preocupações historiográficas a memória e o esquecimento.
Do jogo estabelecido entre a objetividade e a subjetividade surge a terceira nota do acorde teórico que é a hermenêutica, muito ligada à vertente relativista do historicismo e ao existencialismo.
Como a hermenêutica teve a sua origem ligada à mitologia grega, onde o Deus Hermes fazia chegar aos homens às notícias do Olimpo, ela foi usada para definir o campo do saber, usada por teólogos e filósofos para interpretação de textos bíblicos. Porém, o teólogo Schleiermacher ampliou posteriormente o uso da hermenêutica para a compreensão de outros objetos culturais, que não apenas textos e, também para a compreensão de culturas inteiras.
Dessa forma a hermenêutica passou a ser considerada a terceira nota de especial intensidade no acorde teórico de Ricoeur, aquela nota que relaciona sua filosofia com questões como a interpretação, a alteridade, a compreensão da historicidade.
Assim ele passou a pensar a história, este campo de conhecimento no qual o sujeito-historiador precisa conhecer outras mentes, através das fontes históricas, e a si mesmo, enquanto sujeito que produz o seu conhecimento a partir de um lugar específico e enredado por uma tradição.
Assim como outros pensadores Paul Ricoeur busca estabelecer relação entre sujeito e objeto e de redefinir este ultimo na história. O homem do passado seria não só objeto, mas também sujeitos da história, assim como o pesquisador, por se tratar de um sujeito que, em um dado lugar e em uma determinada época, foram agentes ativos e contribuidores para a História. A História seria vista desta maneira em um painel, onde o homem passaria a adquirir consciência de sua existência no tempo, numa dialética entre passado e presente, a experiência “o vivido” e a troca da mesma entre as instâncias presente e passado seria o resultado de maior importância.
Segundo o mesmo autor, em se tratando de construção do conhecimento e pesquisador da história, é necessário levar em consideração a intersubjetividade. Há, no entanto um choque de subjetividade, subjetividade de um outro do passado e subjetividade de um outro do presente (pesquisador). A subjetividade funcionaria como mediação para alcançar o conhecimento objetivo.
Paul Ricoeur busca conciliar questões que para muitos são consideradas inconciliáveis, a relação tempo e narrativa, o resgate do modo narrativo e seu grau de consciência nos discursos historiográficos, as especificidade da narrativa historiográficas frente à narrativa ficcional, etc. E ao historiador cabe uma reflexão do “vivido” e a lógica como instrumento fundamental para a construção do seu trabalho. A história uma narrativa específica, ao discorrer sobre fatos e acontecimentos históricos, fazer análise e representação de circunstâncias a cerca das ações humanas.
Há uma grande estratégia do José D’Assunção Barros, em pensar o Ricoeur, e outros filósofos e historiadores que influenciaram o mesmo, como condensadores de conceitos e teorias que juntas se associam, se distanciam e se aproximam com uma facilidade incrível, flexíveis como notas separadas, mas que compõe “acordes teóricos”. (BARROS, 2011)
O campo do qual os historiadores sem dúvida necessitam, é um espaço onde as possibilidades não se limitem, onde as narrativas, ainda que não se justifiquem que sejam julgadas pelo leitor, assim como pelo espectador das artes cênicas, da música, do artista plástico, o julgador das ciências são seus mais ávidos leitores e críticos. Barros demonstrou durante seus últimos parágrafos a reconciliação que se precisa entre a narrativa e a contra narrativa, assim como o “objetivo” e o “subjetivo”. Relaciona a narrativa como o que há de mais próximo da História, ainda que implícita, muitas vezes é determinante na fruição e correlações da mesma com o tempo, e seus supostos idealizadores, os historiadores.

Referências bibliográficas
BARROS, José D’Assunção. Teoria da História: Acordes Historiográficos. Petrópolis: Vozes, 2011.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Índios Guarani-Kaiowá anunciam suicídio coletivo no Mato Grosso do Sul

Por Felipe Patury, Época

Uma carta assinada pelos líderes indígenas da aldeia Guarani-Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, e remetida ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI), anuncia o suicídio coletivo de 170 homens, mulheres e crianças se a Justiça Federal mandar retirar o grupo da Fazenda Cambará, onde estão acampados provisoriamente às margens do rio Hovy, no município de Naviraí. Os índios pedem há vários anos a demarcação das suas terras tradicionais, hoje ocupadas por fazendeiros e guardadas por pistoleiros. O líder do PV na Câmara, deputado Sarney Filho (MA), enviou carta ao ministro da Justiça pedindo providências para evitar a tragédia.
Leia a íntegra da carta dos índios ao CIMI:


Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.

Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós.  Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.

Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.

Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.
Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para  jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.

Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.
     
Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay

(Portal do Luis Nassif)

domingo, 21 de outubro de 2012

A expropriação do homem pelo homem tornou-se assalariada


Quanto tempo ainda haverá para solucionar o problema do mundo? Afinal, quais são os problemas do mundo? O que é o mundo? Assim que a história se conciliou ao discurso preponderante e conciliável, a expropriação do homem pelo homem tornou-se assalariada. Até mesmo nos momentos mais conflitantes da história da humanidade, não se tinha chegado ao nível de destruição em massa que os indivíduos humanos conseguiram, com armas, indústrias, guerras e lixo.
Que bicho é o homem? Afinal, os homens são terrestres? Penso, logo insisto nesse papo sério de debater com os teóricos mais insistentes, a ideia do Errare Humanum Est, fundamentando-nos nas mais diversas construções simbólicas humanas, poderíamos nos apropriar da ideia dos deuses astronautas, teoria que pressupõe que o contato de humanos com extraterrestres, causou uma grande mudança na percepção humana com relação ao seu meio e com os demais animais. Ainda podemos salientar que esse mesmo contato é uma das explicações para o que culturalmente conhecemos por Deus.
Desde os dois últimos séculos, o Brasil passou de exportador de açúcar, café e fumo, para produtor de soja, milho, minério e analfabetos. Infelizmente a cultura e mentalidade dos nossos principais administradores são das piores, e há um grande poder do Estado na manutenção e controle de escolas, há ainda uma vasta parte da população em  condições de analfabetismo, semianalfabetismo e analfabetismo funcional. As políticas públicas mais importantes, como diria Dráuzio Varela no programa Roda Viva, do dia 15 de outubro de 2012, da TV Brasil, são sempre as que atingem e beneficiam a todos, independente de poder aquisitivo, etnia, conhecimento.
Sem dúvida, toda a exploração que existe no mundo cessará quando os humanos se reconhecerem seres humanos, que não é a parte mais difícil. O mais difícil seria conseguir um meio de todo o pau brasil, ouro e tudo que foi levado daqui fosse devolvido pelos distintos exploradores e seus descendentes em todas as linhagens. O preço mais caro seria pago pelos monarcas britânicos, que devem muito aos povos da África, Ásia, América, Oceania e por que não Antártida?

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Acordes historiográficos: uma nova proposta para a teoria da história.


Paul Ricouer: a “consonância dissonante”

Encontros entre Historicismo, Hermenêutica e Fenomenologia.

Ricouer em suas reflexões afirma que a História como um gênero dialético onde se confrontam, interagem vários pólos, como: o mesmo e o outro, presente e passado, explicação e compreensão, objetividade e subjetividade.
Quando se debruça sobre questões historiográficas leva em consideração conceitos de categorias como tempo, narrativa, memória, constituindo tema sutil jogo das lembranças e esquecimentos.
Ricoeur pode ser considerado um pensador múltiplo, pois o seu pensamento teórico incorpora perspectivas variadas como a Fenomenologia, a Hermenêutica e o Historicismo, fazendo a interdisciplina com o Existencialismo Cristão e com abordagens que vão da filosofia reflexiva à filosofia analítica, em momentos diferentes da sua história intelectual.
O termo de “acordes teóricos” seria apenas uma metáfora (termo usado na linguagem musical para definir a junção de notas diferentes) usada para explicar o encontro entre Historicismo, Hermenêutica e Fenomenologia. Num primeiro momento, interagiu com autores ligados ao Existencialismo. Num segundo momento, pendeu-se para Hermenêutica.
Para J. D’Assunção Barros, buscar o acorde geral de
Ricoeur seria impossível, para alguns pensadores, não aqueles que são notadamente monódicos ou cuja trajetória bibliográfica primou por uma perspectiva cumulativa.
Ricoeur manteve diálogo com o existencialismo cristão, ligado ao filósofo Kierkegaard, e dá uma centralidade, que traz uma angústia no seu modo de sentir e pensar, que ele mesmo autodefine como cristão e confere um cromatismo especial ao seu acorde teórico. Por conseguinte, o Paul Ricoeur não é genuinamente um existencialista cristão, porém é inegável a influência por ele recebia dessa forte corrente de pensamento.
O existencialismo traz preocupações diversificadas na maneira de ver para os diversos filósofos que sobre ele pensaram.  Em Keirkegaar, a preocupação central era a relação torturante entre a dúvida e a fé. Em Heidegger, a angústia é trazida pela consciência da finitude, à qual não pode escapar nenhum ser humano. Em Sartre, a angústia está concentrada na escolha de ser ou não livre, porque o homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo. Em Ricoeur não existe uma angústia que seja o centro do seu pensamento, mas há uma consciência trágica sobre a vida, tanto que na sua crítica o existencialismo é uma nota importante no seu acorde teórico.
Outra nota de influência incorporada pelo acorde teórico de Paulo Ricoeur é aquela que o liga à moderna fenomenologia de Edmund Husserl. Esta é uma nota que certamente se modifica ao ser agregada a um acorde como o de Paul Ricoeur, uma vez que a fenomenologia de Husserl passa a ter que conviver com uma historicidade relativista originalmente estranha, o que fez com que o próprio Ricoeur tecesse a sua crítica, quando a fenomenologia perdeu sua intensidade pela sua aproximação com o estruturalismo. Depois a fenomenologia retorna com sua intensidade assumida como uma fenomenologia hermenêutica.
Com isso pode-se dizer que a nota fundamental do acorde teórico de Ricoeur continua a ser o historicismo haja vista revelar profundo conhecimento acerca da pesquisa e da prática historiográfica, que incorporou a objetividade e a subjetividade no ato de fazer historiografia, tendo incorporado posteriormente ao seu circuito de preocupações historiográficas a memória e o esquecimento.
Do jogo estabelecido entre a objetividade e a subjetividade surge a terceira nota do acorde teórico que é a hermenêutica, muito ligada à vertente relativista do historicismo e ao existencialismo.
Como a hermenêutica teve a sua origem ligada à mitologia grega, onde o Deus Hermes fazia chegar aos homens às notícias do Olimpo, ela foi usada para definir o campo do saber, usada por teólogos e filósofos para interpretação de textos bíblicos. Porém, o teólogo Schleiermacher ampliou posteriormente o uso da hermenêutica para a compreensão de outros objetos culturais, que não apenas textos e, também para a compreensão de culturas inteiras.
Dessa forma a hermenêutica passou a ser considerada a terceira nota de especial intensidade no acorde teórico de Ricoeur, aquela nota que relaciona sua filosofia com questões como a interpretação, a alteridade, a compreensão da historicidade.
Assim ele passou a pensar a história, este campo de conhecimento no qual o sujeito-historiador precisa conhecer outras mentes, através das fontes históricas, e a si mesmo, enquanto sujeito que produz o seu conhecimento a partir de um lugar específico e enredado por uma tradição.
Assim como outros pensadores Paul Ricoeur busca estabelecer relação entre sujeito e objeto e de redefinir este ultimo na história. O homem do passado seria não só objeto, mas também sujeitos da história assim como o pesquisador, por se tratar de um sujeito que, em um dado lugar e em uma determinada época histórica foram agentes ativos e contribuidores para o que vem a ser a denominada história. A história seria vista desta maneira em um painel, onde o homem passaria a adquirir consciência de sua existência no tempo, numa dialética entre passado e presente, a experiência “o vivido” e a troca da mesma entre as instâncias presente e passado seria o resultado de maior importância.
Segundo o mesmo autor, em se tratando de construção do conhecimento e pesquisador da história, é necessário levar em consideração a intersubjetividade. Há, no entanto um choque de subjetividade, subjetividade de um outro do passado e subjetividade de um outro do presente (pesquisador). A subjetividade funcionaria como mediação para alcançar o conhecimento objetivo.
Paul Ricoeur busca conciliar questões que para muitos são consideradas inconciliáveis, a relação tempo e narrativa, o resgate do modo narrativo e seu grau de consciência nos discursos historiográficos, as especificidade da narrativa historiográficas frente à narrativa ficcional, etc. E ao historiador cabe uma reflexão do “vivido” e a lógica como instrumento fundamental para a construção do seu trabalho. A história uma narrativa específica, ao discorrer sobre fatos e acontecimentos históricos, fazer análise e representação de circunstâncias a cerca das ações humanas.
Há uma grande estratégia do José D’Assunção Barros, em pensar o Ricoeur, e outros filósofos e historiadores que influenciaram o mesmo, como condensadores de conceitos e teorias que juntas se associam, se distanciam e se aproximam com uma facilidade incrível, flexíveis como notas separadas, mas que compõe “acordes teóricos”. (BARROS, 2011)
O campo do qual os historiadores sem dúvida necessitam, é um espaço onde as possibilidades não se limitem, onde as narrativas, ainda que não se justifiquem que sejam julgadas pelo leitor, assim como pelo espectador das artes cênicas, da música, do artista plástico, o julgador das ciências são seus mais ávidos leitores e críticos. Barros demonstrou durante seus últimos parágrafos a reconciliação que se precisa entre a narrativa e a contra narrativa, assim como o “objetivo” e o “subjetivo”. Relaciona a narrativa como o que há de mais próximo da história, ainda que implícita muitas vezes determinante na fruição e correlações da mesma com o tempo, e seus supostos idealizadores, os historiadores.