domingo, 21 de outubro de 2012

A expropriação do homem pelo homem tornou-se assalariada


Quanto tempo ainda haverá para solucionar o problema do mundo? Afinal, quais são os problemas do mundo? O que é o mundo? Assim que a história se conciliou ao discurso preponderante e conciliável, a expropriação do homem pelo homem tornou-se assalariada. Até mesmo nos momentos mais conflitantes da história da humanidade, não se tinha chegado ao nível de destruição em massa que os indivíduos humanos conseguiram, com armas, indústrias, guerras e lixo.
Que bicho é o homem? Afinal, os homens são terrestres? Penso, logo insisto nesse papo sério de debater com os teóricos mais insistentes, a ideia do Errare Humanum Est, fundamentando-nos nas mais diversas construções simbólicas humanas, poderíamos nos apropriar da ideia dos deuses astronautas, teoria que pressupõe que o contato de humanos com extraterrestres, causou uma grande mudança na percepção humana com relação ao seu meio e com os demais animais. Ainda podemos salientar que esse mesmo contato é uma das explicações para o que culturalmente conhecemos por Deus.
Desde os dois últimos séculos, o Brasil passou de exportador de açúcar, café e fumo, para produtor de soja, milho, minério e analfabetos. Infelizmente a cultura e mentalidade dos nossos principais administradores são das piores, e há um grande poder do Estado na manutenção e controle de escolas, há ainda uma vasta parte da população em  condições de analfabetismo, semianalfabetismo e analfabetismo funcional. As políticas públicas mais importantes, como diria Dráuzio Varela no programa Roda Viva, do dia 15 de outubro de 2012, da TV Brasil, são sempre as que atingem e beneficiam a todos, independente de poder aquisitivo, etnia, conhecimento.
Sem dúvida, toda a exploração que existe no mundo cessará quando os humanos se reconhecerem seres humanos, que não é a parte mais difícil. O mais difícil seria conseguir um meio de todo o pau brasil, ouro e tudo que foi levado daqui fosse devolvido pelos distintos exploradores e seus descendentes em todas as linhagens. O preço mais caro seria pago pelos monarcas britânicos, que devem muito aos povos da África, Ásia, América, Oceania e por que não Antártida?

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Acordes historiográficos: uma nova proposta para a teoria da história.


Paul Ricouer: a “consonância dissonante”

Encontros entre Historicismo, Hermenêutica e Fenomenologia.

Ricouer em suas reflexões afirma que a História como um gênero dialético onde se confrontam, interagem vários pólos, como: o mesmo e o outro, presente e passado, explicação e compreensão, objetividade e subjetividade.
Quando se debruça sobre questões historiográficas leva em consideração conceitos de categorias como tempo, narrativa, memória, constituindo tema sutil jogo das lembranças e esquecimentos.
Ricoeur pode ser considerado um pensador múltiplo, pois o seu pensamento teórico incorpora perspectivas variadas como a Fenomenologia, a Hermenêutica e o Historicismo, fazendo a interdisciplina com o Existencialismo Cristão e com abordagens que vão da filosofia reflexiva à filosofia analítica, em momentos diferentes da sua história intelectual.
O termo de “acordes teóricos” seria apenas uma metáfora (termo usado na linguagem musical para definir a junção de notas diferentes) usada para explicar o encontro entre Historicismo, Hermenêutica e Fenomenologia. Num primeiro momento, interagiu com autores ligados ao Existencialismo. Num segundo momento, pendeu-se para Hermenêutica.
Para J. D’Assunção Barros, buscar o acorde geral de
Ricoeur seria impossível, para alguns pensadores, não aqueles que são notadamente monódicos ou cuja trajetória bibliográfica primou por uma perspectiva cumulativa.
Ricoeur manteve diálogo com o existencialismo cristão, ligado ao filósofo Kierkegaard, e dá uma centralidade, que traz uma angústia no seu modo de sentir e pensar, que ele mesmo autodefine como cristão e confere um cromatismo especial ao seu acorde teórico. Por conseguinte, o Paul Ricoeur não é genuinamente um existencialista cristão, porém é inegável a influência por ele recebia dessa forte corrente de pensamento.
O existencialismo traz preocupações diversificadas na maneira de ver para os diversos filósofos que sobre ele pensaram.  Em Keirkegaar, a preocupação central era a relação torturante entre a dúvida e a fé. Em Heidegger, a angústia é trazida pela consciência da finitude, à qual não pode escapar nenhum ser humano. Em Sartre, a angústia está concentrada na escolha de ser ou não livre, porque o homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo. Em Ricoeur não existe uma angústia que seja o centro do seu pensamento, mas há uma consciência trágica sobre a vida, tanto que na sua crítica o existencialismo é uma nota importante no seu acorde teórico.
Outra nota de influência incorporada pelo acorde teórico de Paulo Ricoeur é aquela que o liga à moderna fenomenologia de Edmund Husserl. Esta é uma nota que certamente se modifica ao ser agregada a um acorde como o de Paul Ricoeur, uma vez que a fenomenologia de Husserl passa a ter que conviver com uma historicidade relativista originalmente estranha, o que fez com que o próprio Ricoeur tecesse a sua crítica, quando a fenomenologia perdeu sua intensidade pela sua aproximação com o estruturalismo. Depois a fenomenologia retorna com sua intensidade assumida como uma fenomenologia hermenêutica.
Com isso pode-se dizer que a nota fundamental do acorde teórico de Ricoeur continua a ser o historicismo haja vista revelar profundo conhecimento acerca da pesquisa e da prática historiográfica, que incorporou a objetividade e a subjetividade no ato de fazer historiografia, tendo incorporado posteriormente ao seu circuito de preocupações historiográficas a memória e o esquecimento.
Do jogo estabelecido entre a objetividade e a subjetividade surge a terceira nota do acorde teórico que é a hermenêutica, muito ligada à vertente relativista do historicismo e ao existencialismo.
Como a hermenêutica teve a sua origem ligada à mitologia grega, onde o Deus Hermes fazia chegar aos homens às notícias do Olimpo, ela foi usada para definir o campo do saber, usada por teólogos e filósofos para interpretação de textos bíblicos. Porém, o teólogo Schleiermacher ampliou posteriormente o uso da hermenêutica para a compreensão de outros objetos culturais, que não apenas textos e, também para a compreensão de culturas inteiras.
Dessa forma a hermenêutica passou a ser considerada a terceira nota de especial intensidade no acorde teórico de Ricoeur, aquela nota que relaciona sua filosofia com questões como a interpretação, a alteridade, a compreensão da historicidade.
Assim ele passou a pensar a história, este campo de conhecimento no qual o sujeito-historiador precisa conhecer outras mentes, através das fontes históricas, e a si mesmo, enquanto sujeito que produz o seu conhecimento a partir de um lugar específico e enredado por uma tradição.
Assim como outros pensadores Paul Ricoeur busca estabelecer relação entre sujeito e objeto e de redefinir este ultimo na história. O homem do passado seria não só objeto, mas também sujeitos da história assim como o pesquisador, por se tratar de um sujeito que, em um dado lugar e em uma determinada época histórica foram agentes ativos e contribuidores para o que vem a ser a denominada história. A história seria vista desta maneira em um painel, onde o homem passaria a adquirir consciência de sua existência no tempo, numa dialética entre passado e presente, a experiência “o vivido” e a troca da mesma entre as instâncias presente e passado seria o resultado de maior importância.
Segundo o mesmo autor, em se tratando de construção do conhecimento e pesquisador da história, é necessário levar em consideração a intersubjetividade. Há, no entanto um choque de subjetividade, subjetividade de um outro do passado e subjetividade de um outro do presente (pesquisador). A subjetividade funcionaria como mediação para alcançar o conhecimento objetivo.
Paul Ricoeur busca conciliar questões que para muitos são consideradas inconciliáveis, a relação tempo e narrativa, o resgate do modo narrativo e seu grau de consciência nos discursos historiográficos, as especificidade da narrativa historiográficas frente à narrativa ficcional, etc. E ao historiador cabe uma reflexão do “vivido” e a lógica como instrumento fundamental para a construção do seu trabalho. A história uma narrativa específica, ao discorrer sobre fatos e acontecimentos históricos, fazer análise e representação de circunstâncias a cerca das ações humanas.
Há uma grande estratégia do José D’Assunção Barros, em pensar o Ricoeur, e outros filósofos e historiadores que influenciaram o mesmo, como condensadores de conceitos e teorias que juntas se associam, se distanciam e se aproximam com uma facilidade incrível, flexíveis como notas separadas, mas que compõe “acordes teóricos”. (BARROS, 2011)
O campo do qual os historiadores sem dúvida necessitam, é um espaço onde as possibilidades não se limitem, onde as narrativas, ainda que não se justifiquem que sejam julgadas pelo leitor, assim como pelo espectador das artes cênicas, da música, do artista plástico, o julgador das ciências são seus mais ávidos leitores e críticos. Barros demonstrou durante seus últimos parágrafos a reconciliação que se precisa entre a narrativa e a contra narrativa, assim como o “objetivo” e o “subjetivo”. Relaciona a narrativa como o que há de mais próximo da história, ainda que implícita muitas vezes determinante na fruição e correlações da mesma com o tempo, e seus supostos idealizadores, os historiadores.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

II Oficina Pública de Teatro Contemporâneo da UFPI

Nesta quinta-feira, 20, haverá uma oficina pública de teatro no pátio da UFPI de Picos, às 19 horas, horário local. Vista roupas leves (não participa de jeans) e traga uma garrafa de água. É uma realização dos estudos e pesquisa do Grupo Artevida Atrevida, para viver, sentir e atrever pela arte. -- Att, Robson Ferraz Monitor de Oficinas do Artevida Atrevida robsonferraz_007@hotmail.com

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Projeto ARTEVIDA ATREVIDA, da UFPI, apresenta o Espetáculo Teatral ARENA DA VIDA: ERA UMA VEZ... AO DEUS DARÁ!!! no Parque de Exposição

Nenhuma apresentação é igual a outra. Pessoas são pessoas, mas sempre outras, em outro local, com outras energias. Mas sempre é muito gratificante. Emoção, alegria, expectativa. As crianças e adolescentes são sempre muito receptivos, principalmente as crianças, que interagem e correm de um lado para o outro com a trupe do ARTEVIDA ATREVIDA durante o espetáculo, e todos nos sentimos carinhosamente acolhidos. Agradecemos, de coração, por essa recepção. Com o término do espetáculo, é a hora da entrega dos GIBIS ARTEVIDA ATREVIDA - VIVER, TEIMAR, RESISTIR, SENTIR. Muitas crianças, ainda durante a apresentação, demonstram estar ansiosas pelo momento de receber os gibis. O entusiasmo delas é contagiante!!! Parabéns a equipe do Projeto, a todos os oficineiros pelo trabalho de parto dessa ideia, que ganha rosto e corpo e ainda vai dar o que falar, a nossos apoiadores e parceiros, e a todos aqueles que de uma forma ou de outra contribuíram para a concretização de mais essa fase do projeto. Esperamos poder continuar contando com o apoio, cooperação e solidariedade de todos para a realização das próximas fases. Muitos são os obstáculos, as dificuldades; as falhas aparecem e vamos aprendendo com elas, até porque é difícil pensar em tudo e dar conta de tudo de maneira perfeita e primorosa. O importante é fazer, realizar, e teimando continuamos encontrando forças para resistir, e vivendo e sentindo, vamos encontrando e aprimorando as formas de dar respostas as nossas necessidades, pois "a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. Você tem sede de que? Você tem fome de que? A gente quer inteiro e não pela metade" (TITÃS, Comida) Quarta feira, 12/10, dia das crianças, o grupo ARTEVIDA ATREVIDA estará novamente no Parque de Exposição, num evento organizado pelos grupos artísticos-culturais da comunidade, entre eles o Movimento Hip Hop, coordenado pelo camarada Ted. O evento inicia-se as 08:00h e finda as 12:00h e promete muita diversão, alegria e arrancar sorrisos da criançada. A Casa Aliança também marcará presença, dentre outros grupos e movimentos. Não percam!!! Comes e bebes também, e como não poderia deixar de ter: B R I N Q U E D O S doados!!! No próximo domingo, 16/10, as 17:00h, o grupo ARTEVIDA ATREVIDA estará no bairro Pedrinhas, em frente a Igreja Sagrada Família, apresentando esse mesmo espetáculo a fim de que mais pessoas possam viver e sentir com a gente o que sentimos e vivemos quando o fizemos e fazemos, montamos e remontamos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Estreia do Espetáculo Arena da Vida: Era uma vez... Ao Deus Dará põe a reflexão como objeto de cena

Nesse domingo, o espetáculo Arena da Vida: Era uma vez... Ao Deus Dará, movimenta a Praça da Matriz, com música, teatro e muita alegria, o grupo Artevida Atrevida da UFPI, Campus Helvídio Nunes de Barros. O Espetáculo conta a história da cidade Ao Deus Dará, com seus problemas de transito, saúde, cultura, educação, dos seus políticos e suas corrupções, promovendo a discussão onde o foco é a restituição de uma consciência de mundo, no entanto, com crítica, sátira e muita poesia.
Parabéns a toda a equipe que trabalhou nesse projeto, aos patrocinadores, parceiros, produtores, atores, equipe local e ao público, que prestigiou, aplaudiu, e sentiu o calor humano que concentrou o Espetáculo.

Robson Ferraz

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

I Mostra de Teatro Contemporâneo e otras cositas mas da UFPI



Nessa segunda, 26.09, às 18:00hs no pátio do Campus Senador Helvídio Nunes de Barros.

Realização:
Artevida Atrevida
M2HP – Movimento Hip Hop
Os Mímicos da Alegria

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Quais os prós e contra da nova ortografia?


Acordo Ortográfico: Prós e ContrasA equipe do Portal EducaRede ouviu dois especialistas, Douglas Tufano, professor de Português e História da Arte, e autor de livros didáticos e paradidáticos nas áreas de Língua Portuguesa e Literatura, e José Luiz Fiorin, Professor Associado do Departamento de Lingüística da FFLCH da Universidade de São Paulo (USP), que defendem posições diferentes em relação ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Para Tufano, embora não seja completamente favorável ao Acordo, esse momento é considerado um passo à frente no projeto de unificação ortográfica, mas ainda está longe do pretendido objetivo. "Nesse caso, o Acordo poderia ter sido mais ousado e abrangente". Outra questão levantada por Tufano é a falta de clareza quanto ao uso do Hífen: "o maior dos problemas no Acordo é a confusão que se estabeleceu quanto ao uso do hífen nas locuções. No uso do hífen com os prefixos, as regras são quase todas bem simples, mas ao tratar do uso do hífen nas locuções, como "maria vai com as outras" ou "pé de moleque", o Acordo não é nada claro e a publicação do dicionário da Academia Brasileira de Letras não contribuiu em nada para esclarecer essa questão". Segundo Tufano, a resolução desse problema passa pela elaboração do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), considerada uma fonte oficial de consulta e que já deveria estar publicado antes do Acordo entrar em vigor, para evitar confusões.José Luiz Fiorin, Professor Associado do Departamento de Lingüística da FFLCH da Universidade de São Paulo (USP), concorda que algumas normas são tecnicamente mal formuladas, principalmente nas bases 15 e 16 do Acordo, em relação ao Hífen, que carrega dubiedade no entendimento das regras. A resolução desse problema está na elaboração do "Vocabulário Ortográfico Da Língua Portuguesa", outro ponto de concordância entre os especialistas. Mas, ao contrário de Tufano, José Luiz Fiorin é plenamente a favor do Acordo, principalmente em seu aspecto político, já que unifica a grafia nos países lusófonos e cria uma unidade na Comunidade de Língua Portuguesa. Até então, tínhamos duas grafias oficiais, a utilizada em Portugal, que é a mesma nas ex-colônias africanas e asiática, e a usada no Brasil. Segundo Fiorin, "reafirmar a unidade ortográfica é reafirmar a unidade de base da Língua Portuguesa". O especialista fez questão de salientar a diferença entre grafia e língua: "A língua é viva e muda tanto de país para país, com seus sotaques e gírias, como de geração para geração dentro do mesmo território. A unificação está somente na grafia".
Por fim, Fiorin analisou o impacto do Acordo nas salas de aula: "não interfere em nada a assimilação dos estudantes". O professor aponta três antigos problemas de ortografia nas escolas, e ressalta que nenhum deles foi contemplado no acordo. São eles:
1. Uma letra que representa vários sons. Ex: a letra "X" tem som de "C" na palavra auxílio e som de "Z" em exame;
2. Várias letras representam o mesmo som. Ex. Em beleza, o "Z" tem som de "Z", em exame, o "X" também tem som de "Z", e em casa, o "S" tem a mesma característica, som de "Z";
3. A não correspondência entre a letra e o som. Ex. A palavra "Sol": como a letra "L" tem som de "U", alunos podem escrever "Sou", o mesmo se dá com a palavra "Sal", que pode ser escrita, equivocadamente, "sau".
Para o Professor, uma forma de resolver essa questão está no automatismo da escrita, que vai aos poucos eliminando essas dúvidas. O entrevistado aponta uma forma bastante eficiente para alcançar esse automatismo, que é a memória visual das palavras, ou seja, quanto mais os alunos lerem, menos errarão na escrita. Mais um dado que evidencia a importância do hábito da leitura.
Postado por diario de bordo às 18:57 0 comentários
HISTÓRICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
Histórico: os caminhos da línguaMuitos devem se perguntar o porquê da Língua Portuguesa possuir duas grafias oficiais. Tudo começou em Portugal, em 1911, quando da 1ª Reforma Oficial da Ortografia Portuguesa, que não levou em consideração a República Brasileira, e, desde essa data, a língua tem comportado duas formas de escrita. A partir daí, as duas ortografias percorreram caminhos distintos ao longo dos anos.
Foram muitas as tentivas de unificação da ortografia no século passado. Em 1931 aconteceu o primeiro Acordo Ortográfico entre Brasil e Portugal, que visava suprimir as diferenças, unificar e simplificar a Língua Portuguesa. Contudo, este acordo não foi posto em prática. Em 1943 é redigido o Formulário Ortográfico de 1943, na primeira Convenção Ortográfica entre Brasil e Portugal. Dois anos depois, em 1945, um novo Acordo Ortográfico torna-se lei em todos os países de Língua Portuguesa, com excessão do Brasil, que continuou a regular-se pela ortografia do Vocabulário de 1943.
Uma nova tentativa de unificação aconteceu em 1975 por meio de outro acordo ortográfico, agora elaborado pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa. Na ocasião, não houve aprovação por motivações políticas entre os países. Uma nova investida, estimulada pelo acadêmico Antonio Houaiss, deu-se em 1986. Segundo Proença Filho, da Academia Brasileira de Letras, desta vez não houve aprovação por reações polêmicas ao acordo, que àquela época pretendia unificar 99,5% do vocabulário. Por fim, em 1990, em Lisboa, um novo documento foi elaborado e assinado por representantes das nações de Língua Portuguesa, com a finalidade de unificar 98% da grafia do vocabulário. O documento, que regula o Acordo, foi aprovado pelos congressos de Portugal e Cabo Verde. Em 1995, foi aprovado por parlamentares brasileiros. Em 1998, os países assinaram um protocolo modificativo do acordo, alterando a data de vigência. Em 2004, foi assinado um novo protocolo modificativo para a adesão do Timor-Leste às normas, já que o país conquistou sua independência em 2002.

Principais Regras do Novo Acordo Ortográfico


Somem da Ortografia.
Trema Desaparecem de toda a escrita os dois pontos usados sobre a vogal “u” em algumas palavras, mas apenas da escrita. Assim, em “linguiça”, o “ui” continua a ser pronunciado. Exceção: nomes próprios, como Hübner.
Acento diferencialTambém somem da escrita. Portanto, pelo (por meio de, ou preposição + artigo), pêlo (de cachorro, ou substantivo) e pélo (flexão do verbo pelar) passam a ser escritos da mesma maneira. Exceções: para os verbos pôr e pode - do contrário, seria difícil identificar, pelo contexto, se a frase “o país pode alcançar um grande grau de progresso” está no presente ou no passado.
Acento circunflexo Não é mais usado nas palavras terminadas em êem (terceira pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo de crer, ver, dar…) e em oo (hiato). Caso de crêem, vêem, dêem e de enjôo e vôo.
Acento agudo1 - Nos ditongos abertos éi e ói, ele desaparece da ortografia. Desta forma, “assembléia” e “paranóia” passam a ser assembleia e paranoia. No caso de “apóio”, o leitor deverá compreender o contexto em que se insere - em “Eu apoio o canditato Fulano”, leia-se “eu apóio”, enquanto “Tenho uma mesa de apoio em meu escritório” continua a ser escrito e lido da mesma forma.
2 - Desaparecem no i e no u, após ditongos (união de duas vogais) em palavras com a penúltima sílaba tônica (que é pronunciada com mais força, a paroxítona). Caso de feiúra.
Uso do HífenDeixa de existir na língua em apenas dois casos:
1 - Quando o segundo elemento começar com s ou r. Estas devem ser duplicadas. Assim, contra-regra passa a ser contrarregra, contra-senso passa a ser contrassenso. Mas há uma exceção: se o prefixo termina em r, tudo fica como está, ou seja, aquela cola super-resistente continua a resistir da mesma forma.
2 - Quando o primeiro elemento termina e o segundo começa com vogal. Ou seja, as rodovias deixam de ser auto-estradas para se tornarem autoestradas e aquela aula fora do ambiente da escola passa a ser uma atividade extraescolar e não mais extra-escolar.
Em PortugalCaem o “c” e o “p” mudos, como “óptimo” e “acto”. Passam a ser grafadas como o Brasil já fazia. Palavras como “herva” e “húmido” também passam a ser escritas como aqui: erva e úmido.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Gasto social com educação é que mais eleva o PIB




Segundo estudo do IPEA, cada R$ 1 gasto com educação pública gera R$ 1,85 para o PIB, e o mesmo valor investido na saúde gera R$ 1,70. Foram considerados os gastos públicos assumidos pela União, pelos estados e municípios. Quando se calcula o tipo de gasto social que tem o maior efeito multiplicador na renda das famílias, em primeiro lugar aparece o Bolsa Família. Para cada R$ 1 incluído no programa, a renda das famílias se eleva 2,25%. Gastos sociais fizeram o PIB brasileiro crescer 7% entre 2004 e 2008.

Leia mais.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

[escritos_valter 1]: À plena luz, o susto do cavalo do Dragão (2003)

Este texto, escrito na ocasião da posse do presidente Lula, no seu primeiro mandato, é uma carta a Espinosa, filósofo que inspirou em Valter muito do que pudemos aprender com ele. Coincidência ou não, (pelo menos) um dos cavalos dos Dragões da Independência se mostrava afoito, agoniado na cerimônia de posse da presidente Dilma Rousseff, dias atrás.

À plena luz, o susto do cavalo do Dragão (2003)

Valter A. Rodrigues



Querido Espinosa

Escrevo-lhe do Brasil, país que se construiu como fruto da expansão colonial européia do século XVI e que foi sonhado pelos iluministas do século XVIII como exótico, sítio privilegiado do homem natural, como desejava Rousseau, e cantado, desde o início, como o paraíso terrestre, habitado por estranhos e receptivos seres sem pudor nem pecado.

Este país ainda ressoa, nas suas relações, essa primeira percepção dos estrangeiros em seu encontro com os nativos.. Explico-me. Quando aquilo que se desenha em nosso espírito no encontro com o outro nos afeta profundamente e soa dissonante, a imaginação se acelera e se constrói sobre o pior. É na dissonância, maior quanto mais intensa a afetação, que aquilo que nos encanta e perturba nos demanda uma força mais e mais destrutiva. Claro, pode ocorrer de outro modo, mas como se deixar afetar não raro soa demasiado perigoso para aquilo que nos constitui, é sempre mais seguro o gesto destrutivo. Aqui, foi assim que aconteceu. “Em nome da civilização”, tudo o que parecia bárbaro, belo, sedutor, natural e grandioso foi sistematicamente dizimado, contido e reapropriado pelos conquistadores. Restou um traço, imagem pálida do que poderia ter sido este então admirável mundo novo: a idéia de um povo cordial e alegre, exuberante em sua sensualidade e, malgrado as revoltas que a história oficial sempre se encarregou de negar e encobrir, facilmente governável, posto que ingênuo e passível de ser satisfeito com umas poucas e inúteis bugigangas.

Apesar dessa versão “oficial”, somos efetivamente um povo alegre, embora dificilmente governável. Há aqui uma alegria que, se não chega a ser um pleno contentamento de si, sustenta uma expressividade resistente às opressões cotidianas e que sobrevive até mesmo aos esforços de sua apropriação em continentes mais administráveis, como a que cria de nós a imagem-exportação de país do carnaval, do futebol e do sexo fácil. A nossa é uma alegria que resiste e que, por isso, não cessa de ser rebatida sobre um cenário barroco belo em suas volutas e cruel em suas dobras.

Desnecessário dizer que o Estado que se desenhou aqui, desde os movimentos da colonização, não chegou sequer a se constituir plenamente sob a forma, ainda que indesejável, de Estado-nação. Não chegamos a essa condição de, anônimos, podermos nos designar cidadãos. Expropriação de riquezas, escravagismo, descarados populismos, persistentes autoritarismos e uma democracia de conveniência escreveram nossa história. Uma história, aliás, vivida aos trancos, em sua estrita dependência da escrita em outros lugares. Sustentando-a, nosso Estado tem produzido governos cujo maior desejo parece sempre ter sido, sem sucesso, o de ignorar a multiplicidade que somos e formatar-nos como um povo que melhor serviria à sua vontade. Frustrados nesse projeto, e sem lhe reconhecer a impossibilidade, esses governos oprimiram, construíram estratégias de docilização e ludibrio, perseguiram os desobedientes, formularam vãs promessas e, assim, se sustentaram em berço esplêndido, enquanto mantinham a população no sonho de dias melhores.

À maneira da França monárquica e sua Versailles, este país também definiu sua condição de governabilidade, constituindo um “espaço do poder”, uma cidade Potemkin que, localizada num pólo central de irradiação territorial, foi sonhada como um lócus do qual o poder, idealmente, se exerceria mais eficaz e protegido, distante de manifestações desejantes que viessem atrapalhá-lo em sua porta. Uma cidade imponente, bela e estranha, fria e barroca, generosa em seus espaços abertos e homogênea em suas formas, não idealizada para ser ocupada pela multidão, mas para ser tão-somente a própria representação e espaço do poder num país tão grande e múltiplo. Foi nessa cidade que ocorreu o que vou lhe contar.

Depois de muitas lutas e fracassos, e pela primeira vez na história deste país, chegou à presidência um representante que emergiu do anonimato dessa multidão que somos. Conhecido por seu apelido de fábrica e de líder sindical, foi durante anos ridicularizado e sabotado em seus esforços de chegar à presidência, tão frágil e ameaçadora sua pertinência e formação. Em torno dele organizou-se um partido que, em sua origem, foi pólo de convergência e aglutinação de um sem-número de minorias, o que fez dele um poderoso catalisador dos “inconscientes que protestam”, como identificou Guattari em 1982. Esse acontecimento de que lhe falo se deu no dia de sua consagração: o da solenidade da posse.

Vindos de todos os lugares e por todos os meios disponíveis, criando uma colorida, alegre, irreverente e esperançosa massa humana em movimento, os múltiplos fizeram uma grande festa nas ruas não projetadas para eles. Uma festa-presente, em primeiro lugar para si mesmos, mas também para o emocionado novo presidente que, longe de bastar-se da solene distância para agradecer-lhes a alegria, a todo momento tentava, para pânico de seus agitados seguranças, misturar-se com eles, como se resistindo a desligar-se da própria origem. Foi um dia belo, no qual os jornalistas encarregados de registrá-lo repetiram muitas vezes um mesmo bordão: “quebra de protocolo”, da qual o principal agente foi, quase sempre, o próprio novo presidente.

A imagem que lhe envio é exemplar do que ocorreu nesse dia. Esse cavalo que se empina assustado, narinas dilatadas e dentes à mostra e derruba seu cavaleiro todo engalanado pertence, indissociável do cavaleiro, à guarda da presidência. Essa guarda tem uma função simbólica: ela marca a distância entre representante e representados nos atos solenes, estabelecendo a linha de separação e indicando os limites da relação de proximidade entre um e outros. Imponente, majestosa, porta em seu nome o momento em que este país rejeitou, ainda que só formalmente, sua condição de dependência e se declarou autônomo: Dragões da Independência.

Por essa posição simbólica, quando ela passa, encabeçando o desfile solene, a multidão recua, respeitosa, quando não assustada, pois sabe que, por maior seu entusiasmo, ela e aquele que a representa não pertencem ao mesmo campo. Nesse dia de que lhe falo, entretanto, algo se deu: a multidão não se afastou respeitosa e assustada, obediente à designação de seu lugar. Por permanecer, em plena alegria, identificada com seu representante, foi a própria ordem que se assustou, foi ela que se desarticulou, por instantes, no susto do cavalo do Dragão.

Nesse momento, o que se expôs, ainda que brevemente, foi uma fissura nessa relação de forças que faz da alegria e do poder que lhe dá continente esse algo muitas vezes inócuo, no máximo um triste subproduto vendável em seu exotismo: o aparentemente forte é muito frágil quando depende somente do medo e da obediência daqueles que ele sujeita. A força de uma representação pouco pode perante o grito da multidão, seja ele de dor ou de alegria.

O acontecimento que lhe relato não teve maiores conseqüências. A mídia, que reina soberana na produção dos enunciados que consumimos à exaustão, tratou-o como mais um entre os tantos fait divers identificados como “quebra de protocolo” de um dia relativamente tranqüilo e festivo. Não houve, que eu saiba, quaisquer ações agressivas em relação à incansável multidão em festa.

Passados mais de seis meses desse acontecimento, para alguns dos esperançosos festeiros o entusiasmo já arrefece; aos aduladores do novo poder, face às previsíveis dificuldades do presidente na gestão do país, resta, após uma trégua vigilante, o odioso retorno aos ataques, agora como oposição. O presidente, tão feliz naquele dia, surge às vezes com o rosto cansado, a expressão inquieta, embora mantendo sua esperançosa emotividade. Talvez esteja descobrindo que “tomar” o poder não implica maior potência para alterar as coisas do mundo. Há algo, entretanto, que permanece vivo em nós e se reaviva perante essa foto que eterniza o susto do cavalo do Dragão: a força e a alegria da multidão, plena de esperança, ocupando aquelas ruas não imaginadas para ela. Uma esperança sem medo e uma alegria manifestando-se como pura expressão de uma potência que é, como você nos ensina, a única capaz de mudar o mundo.

Com afeto

***

[Este texto, formulado como uma carta ao filósofo Espinosa, foi publicado em versão reduzida, com o título A esquerda e o susto do cavalo do Dragão, na revista Glob[al] no. 1, 2003. Rede Universidade Nômade. (ver revistaglobal.multiply.com)]

[A foto que registra o momento da queda do cavalo do dragão é de
Brígida Rodrigues. Jornalista e fotógrafa, editora de imagens da revista Líbero no período de 2002-2003, do programa de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero (SP), atualmente editora de conteúdo do site www.brimagens.com.br]

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pólo Spark de Artes na UFPI


Nesta terça (23), no auditório da UFPI/CSHNB, ás 09:00hs, haverá a exibição do documentário Vinícius, de Miguel Farias Jr., um longa com algumas partes ficcionadas por excelentes actores. Uma Camila Morgado desconhecida e referência futura. Depoimentos do Chico, Caetano, Gil, Bethânia. Atuações da Calcanhoto além de outras que rememoram o tal Vinícius poeta. Duas horas de génio, música, mulheres e umas doses para sarar a sobriedade.

E nesta quarta (24), também no auditório da UFPI/CSHNB, às 09:00hs será exibido o longa-metragem "Santiago", descrito na postagem anterior.



A todos, boa exibiçao!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SANTIAGO



de João Moreira Salles

É um documentário que mistura fantasia e realidade para contar a história do mordomo Santiago Badariotti Merlo, que dedicou sua vida a servir a aristocracia, apesar de ser viajado, poliglota, dono de uma cultura extraordinária e vindo de origem humilde.

Santiago é o nome do filme e do personagem. Durante 30 anos, Santiago foi mordomo da família de Salles, uma família muito rica, culta e influente, como fica claro no filme. Santiago trabalhou na casa da Gávea, onde João Salles morou até os 20 anos e que hoje abriga o Instituto Moreira Salles, um centro de referência para a música e para a fotografia no Rio de Janeiro.

Em 1992, o realizador percebeu a singularidade do homem que viria a ser seu personagem no filme. Já aposentado, Santiago mora em um pequeno apartamento do Leblon, no Rio de Janeiro.

Apesar do personagem, João Salles abandona o filme em 1992. Quando cometido por uma crise pessoal e profissional, resolveu retornar às suas memórias de infância, à família, à casa e, conseqüentemente, ao mordomo. Reviu todo o material que registrara e retoma o filme em 2005 e agora, é ele próprio que vira personagem. Narrado em primeira pessoa, na voz do irmão, Fernando Moreira Salles, o processo do filme passa a fazer parte dele e aparece, sobretudo, como uma autocrítica ao seu modo de conduzir o filme em 1992 e ao fato de na época não ter percebido a relação de poder ali presente. Ao poder do documentarista se somava o poder do filho do patrão.

Fundamentalmente o procedimento do filme hoje é esse; a claquete está presente, a fala de Salles antes do comando de “ação”, os retakes, o off. Através da presença do que normalmente é eliminado na montagem de um filme, reconhecemos os pontos que perturbam Salles hoje; a direção das falas, textos, gestos e o excesso de zelo estético na composição dos quadros e no trabalho da fotografia.

"Santiago" não seria um filme sobre Santiago, e sim sobre como o cineasta não entendeu o mordomo durante aqueles cinco dias que esteve com ele fazendo suas entrevistas, usando-se de artifícios de montagem, som e repetição para dizer o que bem desejasse.

Nas entrevistas, não queria ouvir o que Santiago tinha a dizer. Queria que ele dissesse o que queria ouvir, que ele se parecesse com o Santiago da sua infância, com o seu Santiago. Daí as ordens, os planos repetidos. Essa relação de patrão e empregado é também uma alegoria do que acontece em todo filme, entre o documentarista e o seu objeto. É preciso ter consciência disso, mesmo quando se filma o presidente, a palavra final sempre será de quem está com a câmera na mão.

23 de outubro de 2010 (sábado),

às 19hs,

No SENAC de Picos, rua Marcos Parente, 570 - Centro.



Boa exibição!


ARTIGOS RELACIONADOS:

http://www.overmundo.com.br/overblog/o-filme-e-o-filme-de-joao-moreira-salles

SANTIAGO



de João Moreira Salles

É um documentário que mistura fantasia e realidade para contar a história do mordomo Santiago Badariotti Merlo, que dedicou sua vida a servir a aristocracia, apesar de ser viajado, poliglota, dono de uma cultura extraordinária e vindo de origem humilde.

Santiago é o nome do filme e do personagem. Durante 30 anos, Santiago foi mordomo da família de Salles, uma família muito rica, culta e influente, como fica claro no filme. Santiago trabalhou na casa da Gávea, onde João Salles morou até os 20 anos e que hoje abriga o Instituto Moreira Salles, um centro de referência para a música e para a fotografia no Rio de Janeiro.

Em 1992, o realizador percebeu a singularidade do homem que viria a ser seu personagem no filme. Já aposentado, Santiago mora em um pequeno apartamento do Leblon, no Rio de Janeiro.

Apesar do personagem, João Salles abandona o filme em 1992. Quando cometido por uma crise pessoal e profissional, resolveu retornar às suas memórias de infância, à família, à casa e, conseqüentemente, ao mordomo. Reviu todo o material que registrara e retoma o filme em 2005 e agora, é ele próprio que vira personagem. Narrado em primeira pessoa, na voz do irmão, Fernando Moreira Salles, o processo do filme passa a fazer parte dele e aparece, sobretudo, como uma autocrítica ao seu modo de conduzir o filme em 1992 e ao fato de na época não ter percebido a relação de poder ali presente. Ao poder do documentarista se somava o poder do filho do patrão.

Fundamentalmente o procedimento do filme hoje é esse; a claquete está presente, a fala de Salles antes do comando de “ação”, os retakes, o off. Através da presença do que normalmente é eliminado na montagem de um filme, reconhecemos os pontos que perturbam Salles hoje; a direção das falas, textos, gestos e o excesso de zelo estético na composição dos quadros e no trabalho da fotografia.

"Santiago" não seria um filme sobre Santiago, e sim sobre como o cineasta não entendeu o mordomo durante aqueles cinco dias que esteve com ele fazendo suas entrevistas, usando-se de artifícios de montagem, som e repetição para dizer o que bem desejasse.

Nas entrevistas, não queria ouvir o que Santiago tinha a dizer. Queria que ele dissesse o que queria ouvir, que ele se parecesse com o Santiago da sua infância, com o seu Santiago. Daí as ordens, os planos repetidos. Essa relação de patrão e empregado é também uma alegoria do que acontece em todo filme, entre o documentarista e o seu objeto. É preciso ter consciência disso, mesmo quando se filma o presidente, a palavra final sempre será de quem está com a câmera na mão.

23 de outubro de 2010 (sábado),

às 19hs,

No SENAC de Picos, rua Marcos Parente, 570 - Centro.



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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Representantes Estudantis da UFPI de Picos reúnem-se

Nessa sexta (08.10), é marcada reunião convocando todos os membros representantes estudantis da UFPI – Campus Senador Helvídio Nunes de Barros, para discursão de assuntos pertinentes as más condições de infraestrutura técnica e física do campus para atender os nove cursos que a mesma sedia, além do agendamento de Assembleia Geral.
Os estudantes irão pautar problemas que calejam as suas possibilidades de estudo, pesquisa e extensão, que vão desde, falta de laboratórios para alguns cursos, até deficiências em infraestruturas, como segurança, biblioteca e auditório que não atendem as necessidades exigidas, inexistência de quadra poliesportiva para prática de esporte, sobrecarga de docentes, que gera uma carência de incitação de projetos de pesquisa e extensão, entre outros assuntos que serão abordados.
A universidade e sua função por instituição, como já previa Anísio Teixeira, definem rumos incríveis para a sociedade, seu encontro com o desenvolvimento local e universal, são de inúmeros pontos progressivos para seus vetores e receptores. Portanto, o seus membros, acadêmicos, pesquisadores, estudantes, professores e gestores, devem trabalhar numa só direção, a de incitar o desenvolvimento, científico, educacional e cultural da sociedade, quando isso não é rumo, foco, alvo, não se têm universidade, se têm indústria de “profissionais” raquíticos e mal intencionados à procura de algo que nem eles mesmos sabem o que é!
Educação, Sociedade e Cultura, são como café da manhã, ou os tomamos diariamente com todo vigor que nos há, ou, tornamo-nos fracos para pensar e agir.

A reunião será no Pátio Principal da UFPI, às 17:00hs, aberto para toda Classe Acadêmica.

Robson Ferraz
Picos – 2010
Primavera