sábado, 12 de fevereiro de 2011
Quais os prós e contra da nova ortografia?
Acordo Ortográfico: Prós e ContrasA equipe do Portal EducaRede ouviu dois especialistas, Douglas Tufano, professor de Português e História da Arte, e autor de livros didáticos e paradidáticos nas áreas de Língua Portuguesa e Literatura, e José Luiz Fiorin, Professor Associado do Departamento de Lingüística da FFLCH da Universidade de São Paulo (USP), que defendem posições diferentes em relação ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Para Tufano, embora não seja completamente favorável ao Acordo, esse momento é considerado um passo à frente no projeto de unificação ortográfica, mas ainda está longe do pretendido objetivo. "Nesse caso, o Acordo poderia ter sido mais ousado e abrangente". Outra questão levantada por Tufano é a falta de clareza quanto ao uso do Hífen: "o maior dos problemas no Acordo é a confusão que se estabeleceu quanto ao uso do hífen nas locuções. No uso do hífen com os prefixos, as regras são quase todas bem simples, mas ao tratar do uso do hífen nas locuções, como "maria vai com as outras" ou "pé de moleque", o Acordo não é nada claro e a publicação do dicionário da Academia Brasileira de Letras não contribuiu em nada para esclarecer essa questão". Segundo Tufano, a resolução desse problema passa pela elaboração do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), considerada uma fonte oficial de consulta e que já deveria estar publicado antes do Acordo entrar em vigor, para evitar confusões.José Luiz Fiorin, Professor Associado do Departamento de Lingüística da FFLCH da Universidade de São Paulo (USP), concorda que algumas normas são tecnicamente mal formuladas, principalmente nas bases 15 e 16 do Acordo, em relação ao Hífen, que carrega dubiedade no entendimento das regras. A resolução desse problema está na elaboração do "Vocabulário Ortográfico Da Língua Portuguesa", outro ponto de concordância entre os especialistas. Mas, ao contrário de Tufano, José Luiz Fiorin é plenamente a favor do Acordo, principalmente em seu aspecto político, já que unifica a grafia nos países lusófonos e cria uma unidade na Comunidade de Língua Portuguesa. Até então, tínhamos duas grafias oficiais, a utilizada em Portugal, que é a mesma nas ex-colônias africanas e asiática, e a usada no Brasil. Segundo Fiorin, "reafirmar a unidade ortográfica é reafirmar a unidade de base da Língua Portuguesa". O especialista fez questão de salientar a diferença entre grafia e língua: "A língua é viva e muda tanto de país para país, com seus sotaques e gírias, como de geração para geração dentro do mesmo território. A unificação está somente na grafia".
Por fim, Fiorin analisou o impacto do Acordo nas salas de aula: "não interfere em nada a assimilação dos estudantes". O professor aponta três antigos problemas de ortografia nas escolas, e ressalta que nenhum deles foi contemplado no acordo. São eles:
1. Uma letra que representa vários sons. Ex: a letra "X" tem som de "C" na palavra auxílio e som de "Z" em exame;
2. Várias letras representam o mesmo som. Ex. Em beleza, o "Z" tem som de "Z", em exame, o "X" também tem som de "Z", e em casa, o "S" tem a mesma característica, som de "Z";
3. A não correspondência entre a letra e o som. Ex. A palavra "Sol": como a letra "L" tem som de "U", alunos podem escrever "Sou", o mesmo se dá com a palavra "Sal", que pode ser escrita, equivocadamente, "sau".
Para o Professor, uma forma de resolver essa questão está no automatismo da escrita, que vai aos poucos eliminando essas dúvidas. O entrevistado aponta uma forma bastante eficiente para alcançar esse automatismo, que é a memória visual das palavras, ou seja, quanto mais os alunos lerem, menos errarão na escrita. Mais um dado que evidencia a importância do hábito da leitura.
Postado por diario de bordo às 18:57 0 comentários
HISTÓRICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
Histórico: os caminhos da línguaMuitos devem se perguntar o porquê da Língua Portuguesa possuir duas grafias oficiais. Tudo começou em Portugal, em 1911, quando da 1ª Reforma Oficial da Ortografia Portuguesa, que não levou em consideração a República Brasileira, e, desde essa data, a língua tem comportado duas formas de escrita. A partir daí, as duas ortografias percorreram caminhos distintos ao longo dos anos.
Foram muitas as tentivas de unificação da ortografia no século passado. Em 1931 aconteceu o primeiro Acordo Ortográfico entre Brasil e Portugal, que visava suprimir as diferenças, unificar e simplificar a Língua Portuguesa. Contudo, este acordo não foi posto em prática. Em 1943 é redigido o Formulário Ortográfico de 1943, na primeira Convenção Ortográfica entre Brasil e Portugal. Dois anos depois, em 1945, um novo Acordo Ortográfico torna-se lei em todos os países de Língua Portuguesa, com excessão do Brasil, que continuou a regular-se pela ortografia do Vocabulário de 1943.
Uma nova tentativa de unificação aconteceu em 1975 por meio de outro acordo ortográfico, agora elaborado pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa. Na ocasião, não houve aprovação por motivações políticas entre os países. Uma nova investida, estimulada pelo acadêmico Antonio Houaiss, deu-se em 1986. Segundo Proença Filho, da Academia Brasileira de Letras, desta vez não houve aprovação por reações polêmicas ao acordo, que àquela época pretendia unificar 99,5% do vocabulário. Por fim, em 1990, em Lisboa, um novo documento foi elaborado e assinado por representantes das nações de Língua Portuguesa, com a finalidade de unificar 98% da grafia do vocabulário. O documento, que regula o Acordo, foi aprovado pelos congressos de Portugal e Cabo Verde. Em 1995, foi aprovado por parlamentares brasileiros. Em 1998, os países assinaram um protocolo modificativo do acordo, alterando a data de vigência. Em 2004, foi assinado um novo protocolo modificativo para a adesão do Timor-Leste às normas, já que o país conquistou sua independência em 2002.
Principais Regras do Novo Acordo Ortográfico
Somem da Ortografia.
Trema Desaparecem de toda a escrita os dois pontos usados sobre a vogal “u” em algumas palavras, mas apenas da escrita. Assim, em “linguiça”, o “ui” continua a ser pronunciado. Exceção: nomes próprios, como Hübner.
Acento diferencialTambém somem da escrita. Portanto, pelo (por meio de, ou preposição + artigo), pêlo (de cachorro, ou substantivo) e pélo (flexão do verbo pelar) passam a ser escritos da mesma maneira. Exceções: para os verbos pôr e pode - do contrário, seria difícil identificar, pelo contexto, se a frase “o país pode alcançar um grande grau de progresso” está no presente ou no passado.
Acento circunflexo Não é mais usado nas palavras terminadas em êem (terceira pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo de crer, ver, dar…) e em oo (hiato). Caso de crêem, vêem, dêem e de enjôo e vôo.
Acento agudo1 - Nos ditongos abertos éi e ói, ele desaparece da ortografia. Desta forma, “assembléia” e “paranóia” passam a ser assembleia e paranoia. No caso de “apóio”, o leitor deverá compreender o contexto em que se insere - em “Eu apoio o canditato Fulano”, leia-se “eu apóio”, enquanto “Tenho uma mesa de apoio em meu escritório” continua a ser escrito e lido da mesma forma.
2 - Desaparecem no i e no u, após ditongos (união de duas vogais) em palavras com a penúltima sílaba tônica (que é pronunciada com mais força, a paroxítona). Caso de feiúra.
Uso do HífenDeixa de existir na língua em apenas dois casos:
1 - Quando o segundo elemento começar com s ou r. Estas devem ser duplicadas. Assim, contra-regra passa a ser contrarregra, contra-senso passa a ser contrassenso. Mas há uma exceção: se o prefixo termina em r, tudo fica como está, ou seja, aquela cola super-resistente continua a resistir da mesma forma.
2 - Quando o primeiro elemento termina e o segundo começa com vogal. Ou seja, as rodovias deixam de ser auto-estradas para se tornarem autoestradas e aquela aula fora do ambiente da escola passa a ser uma atividade extraescolar e não mais extra-escolar.
Em PortugalCaem o “c” e o “p” mudos, como “óptimo” e “acto”. Passam a ser grafadas como o Brasil já fazia. Palavras como “herva” e “húmido” também passam a ser escritas como aqui: erva e úmido.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Gasto social com educação é que mais eleva o PIB
Segundo estudo do IPEA, cada R$ 1 gasto com educação pública gera R$ 1,85 para o PIB, e o mesmo valor investido na saúde gera R$ 1,70. Foram considerados os gastos públicos assumidos pela União, pelos estados e municípios. Quando se calcula o tipo de gasto social que tem o maior efeito multiplicador na renda das famílias, em primeiro lugar aparece o Bolsa Família. Para cada R$ 1 incluído no programa, a renda das famílias se eleva 2,25%. Gastos sociais fizeram o PIB brasileiro crescer 7% entre 2004 e 2008.
Leia mais.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
[escritos_valter 1]: À plena luz, o susto do cavalo do Dragão (2003)
Este texto, escrito na ocasião da posse do presidente Lula, no seu primeiro mandato, é uma carta a Espinosa, filósofo que inspirou em Valter muito do que pudemos aprender com ele. Coincidência ou não, (pelo menos) um dos cavalos dos Dragões da Independência se mostrava afoito, agoniado na cerimônia de posse da presidente Dilma Rousseff, dias atrás.
À plena luz, o susto do cavalo do Dragão (2003)
Valter A. Rodrigues
Querido Espinosa
Escrevo-lhe do Brasil, país que se construiu como fruto da expansão colonial européia do século XVI e que foi sonhado pelos iluministas do século XVIII como exótico, sítio privilegiado do homem natural, como desejava Rousseau, e cantado, desde o início, como o paraíso terrestre, habitado por estranhos e receptivos seres sem pudor nem pecado.
Este país ainda ressoa, nas suas relações, essa primeira percepção dos estrangeiros em seu encontro com os nativos.. Explico-me. Quando aquilo que se desenha em nosso espírito no encontro com o outro nos afeta profundamente e soa dissonante, a imaginação se acelera e se constrói sobre o pior. É na dissonância, maior quanto mais intensa a afetação, que aquilo que nos encanta e perturba nos demanda uma força mais e mais destrutiva. Claro, pode ocorrer de outro modo, mas como se deixar afetar não raro soa demasiado perigoso para aquilo que nos constitui, é sempre mais seguro o gesto destrutivo. Aqui, foi assim que aconteceu. “Em nome da civilização”, tudo o que parecia bárbaro, belo, sedutor, natural e grandioso foi sistematicamente dizimado, contido e reapropriado pelos conquistadores. Restou um traço, imagem pálida do que poderia ter sido este então admirável mundo novo: a idéia de um povo cordial e alegre, exuberante em sua sensualidade e, malgrado as revoltas que a história oficial sempre se encarregou de negar e encobrir, facilmente governável, posto que ingênuo e passível de ser satisfeito com umas poucas e inúteis bugigangas.
Apesar dessa versão “oficial”, somos efetivamente um povo alegre, embora dificilmente governável. Há aqui uma alegria que, se não chega a ser um pleno contentamento de si, sustenta uma expressividade resistente às opressões cotidianas e que sobrevive até mesmo aos esforços de sua apropriação em continentes mais administráveis, como a que cria de nós a imagem-exportação de país do carnaval, do futebol e do sexo fácil. A nossa é uma alegria que resiste e que, por isso, não cessa de ser rebatida sobre um cenário barroco belo em suas volutas e cruel em suas dobras.
Desnecessário dizer que o Estado que se desenhou aqui, desde os movimentos da colonização, não chegou sequer a se constituir plenamente sob a forma, ainda que indesejável, de Estado-nação. Não chegamos a essa condição de, anônimos, podermos nos designar cidadãos. Expropriação de riquezas, escravagismo, descarados populismos, persistentes autoritarismos e uma democracia de conveniência escreveram nossa história. Uma história, aliás, vivida aos trancos, em sua estrita dependência da escrita em outros lugares. Sustentando-a, nosso Estado tem produzido governos cujo maior desejo parece sempre ter sido, sem sucesso, o de ignorar a multiplicidade que somos e formatar-nos como um povo que melhor serviria à sua vontade. Frustrados nesse projeto, e sem lhe reconhecer a impossibilidade, esses governos oprimiram, construíram estratégias de docilização e ludibrio, perseguiram os desobedientes, formularam vãs promessas e, assim, se sustentaram em berço esplêndido, enquanto mantinham a população no sonho de dias melhores.
À maneira da França monárquica e sua Versailles, este país também definiu sua condição de governabilidade, constituindo um “espaço do poder”, uma cidade Potemkin que, localizada num pólo central de irradiação territorial, foi sonhada como um lócus do qual o poder, idealmente, se exerceria mais eficaz e protegido, distante de manifestações desejantes que viessem atrapalhá-lo em sua porta. Uma cidade imponente, bela e estranha, fria e barroca, generosa em seus espaços abertos e homogênea em suas formas, não idealizada para ser ocupada pela multidão, mas para ser tão-somente a própria representação e espaço do poder num país tão grande e múltiplo. Foi nessa cidade que ocorreu o que vou lhe contar.
Depois de muitas lutas e fracassos, e pela primeira vez na história deste país, chegou à presidência um representante que emergiu do anonimato dessa multidão que somos. Conhecido por seu apelido de fábrica e de líder sindical, foi durante anos ridicularizado e sabotado em seus esforços de chegar à presidência, tão frágil e ameaçadora sua pertinência e formação. Em torno dele organizou-se um partido que, em sua origem, foi pólo de convergência e aglutinação de um sem-número de minorias, o que fez dele um poderoso catalisador dos “inconscientes que protestam”, como identificou Guattari em 1982. Esse acontecimento de que lhe falo se deu no dia de sua consagração: o da solenidade da posse.
Vindos de todos os lugares e por todos os meios disponíveis, criando uma colorida, alegre, irreverente e esperançosa massa humana em movimento, os múltiplos fizeram uma grande festa nas ruas não projetadas para eles. Uma festa-presente, em primeiro lugar para si mesmos, mas também para o emocionado novo presidente que, longe de bastar-se da solene distância para agradecer-lhes a alegria, a todo momento tentava, para pânico de seus agitados seguranças, misturar-se com eles, como se resistindo a desligar-se da própria origem. Foi um dia belo, no qual os jornalistas encarregados de registrá-lo repetiram muitas vezes um mesmo bordão: “quebra de protocolo”, da qual o principal agente foi, quase sempre, o próprio novo presidente.
A imagem que lhe envio é exemplar do que ocorreu nesse dia. Esse cavalo que se empina assustado, narinas dilatadas e dentes à mostra e derruba seu cavaleiro todo engalanado pertence, indissociável do cavaleiro, à guarda da presidência. Essa guarda tem uma função simbólica: ela marca a distância entre representante e representados nos atos solenes, estabelecendo a linha de separação e indicando os limites da relação de proximidade entre um e outros. Imponente, majestosa, porta em seu nome o momento em que este país rejeitou, ainda que só formalmente, sua condição de dependência e se declarou autônomo: Dragões da Independência.
Por essa posição simbólica, quando ela passa, encabeçando o desfile solene, a multidão recua, respeitosa, quando não assustada, pois sabe que, por maior seu entusiasmo, ela e aquele que a representa não pertencem ao mesmo campo. Nesse dia de que lhe falo, entretanto, algo se deu: a multidão não se afastou respeitosa e assustada, obediente à designação de seu lugar. Por permanecer, em plena alegria, identificada com seu representante, foi a própria ordem que se assustou, foi ela que se desarticulou, por instantes, no susto do cavalo do Dragão.
Nesse momento, o que se expôs, ainda que brevemente, foi uma fissura nessa relação de forças que faz da alegria e do poder que lhe dá continente esse algo muitas vezes inócuo, no máximo um triste subproduto vendável em seu exotismo: o aparentemente forte é muito frágil quando depende somente do medo e da obediência daqueles que ele sujeita. A força de uma representação pouco pode perante o grito da multidão, seja ele de dor ou de alegria.
O acontecimento que lhe relato não teve maiores conseqüências. A mídia, que reina soberana na produção dos enunciados que consumimos à exaustão, tratou-o como mais um entre os tantos fait divers identificados como “quebra de protocolo” de um dia relativamente tranqüilo e festivo. Não houve, que eu saiba, quaisquer ações agressivas em relação à incansável multidão em festa.
Passados mais de seis meses desse acontecimento, para alguns dos esperançosos festeiros o entusiasmo já arrefece; aos aduladores do novo poder, face às previsíveis dificuldades do presidente na gestão do país, resta, após uma trégua vigilante, o odioso retorno aos ataques, agora como oposição. O presidente, tão feliz naquele dia, surge às vezes com o rosto cansado, a expressão inquieta, embora mantendo sua esperançosa emotividade. Talvez esteja descobrindo que “tomar” o poder não implica maior potência para alterar as coisas do mundo. Há algo, entretanto, que permanece vivo em nós e se reaviva perante essa foto que eterniza o susto do cavalo do Dragão: a força e a alegria da multidão, plena de esperança, ocupando aquelas ruas não imaginadas para ela. Uma esperança sem medo e uma alegria manifestando-se como pura expressão de uma potência que é, como você nos ensina, a única capaz de mudar o mundo.
Com afeto
***
[Este texto, formulado como uma carta ao filósofo Espinosa, foi publicado em versão reduzida, com o título A esquerda e o susto do cavalo do Dragão, na revista Glob[al] no. 1, 2003. Rede Universidade Nômade. (ver revistaglobal.multiply.com)]
[A foto que registra o momento da queda do cavalo do dragão é de
Brígida Rodrigues. Jornalista e fotógrafa, editora de imagens da revista Líbero no período de 2002-2003, do programa de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero (SP), atualmente editora de conteúdo do site www.brimagens.com.br]
***
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Querido Espinosa
Escrevo-lhe do Brasil, país que se construiu como fruto da expansão colonial européia do século XVI e que foi sonhado pelos iluministas do século XVIII como exótico, sítio privilegiado do homem natural, como desejava Rousseau, e cantado, desde o início, como o paraíso terrestre, habitado por estranhos e receptivos seres sem pudor nem pecado.
Este país ainda ressoa, nas suas relações, essa primeira percepção dos estrangeiros em seu encontro com os nativos.. Explico-me. Quando aquilo que se desenha em nosso espírito no encontro com o outro nos afeta profundamente e soa dissonante, a imaginação se acelera e se constrói sobre o pior. É na dissonância, maior quanto mais intensa a afetação, que aquilo que nos encanta e perturba nos demanda uma força mais e mais destrutiva. Claro, pode ocorrer de outro modo, mas como se deixar afetar não raro soa demasiado perigoso para aquilo que nos constitui, é sempre mais seguro o gesto destrutivo. Aqui, foi assim que aconteceu. “Em nome da civilização”, tudo o que parecia bárbaro, belo, sedutor, natural e grandioso foi sistematicamente dizimado, contido e reapropriado pelos conquistadores. Restou um traço, imagem pálida do que poderia ter sido este então admirável mundo novo: a idéia de um povo cordial e alegre, exuberante em sua sensualidade e, malgrado as revoltas que a história oficial sempre se encarregou de negar e encobrir, facilmente governável, posto que ingênuo e passível de ser satisfeito com umas poucas e inúteis bugigangas.
Apesar dessa versão “oficial”, somos efetivamente um povo alegre, embora dificilmente governável. Há aqui uma alegria que, se não chega a ser um pleno contentamento de si, sustenta uma expressividade resistente às opressões cotidianas e que sobrevive até mesmo aos esforços de sua apropriação em continentes mais administráveis, como a que cria de nós a imagem-exportação de país do carnaval, do futebol e do sexo fácil. A nossa é uma alegria que resiste e que, por isso, não cessa de ser rebatida sobre um cenário barroco belo em suas volutas e cruel em suas dobras.
Desnecessário dizer que o Estado que se desenhou aqui, desde os movimentos da colonização, não chegou sequer a se constituir plenamente sob a forma, ainda que indesejável, de Estado-nação. Não chegamos a essa condição de, anônimos, podermos nos designar cidadãos. Expropriação de riquezas, escravagismo, descarados populismos, persistentes autoritarismos e uma democracia de conveniência escreveram nossa história. Uma história, aliás, vivida aos trancos, em sua estrita dependência da escrita em outros lugares. Sustentando-a, nosso Estado tem produzido governos cujo maior desejo parece sempre ter sido, sem sucesso, o de ignorar a multiplicidade que somos e formatar-nos como um povo que melhor serviria à sua vontade. Frustrados nesse projeto, e sem lhe reconhecer a impossibilidade, esses governos oprimiram, construíram estratégias de docilização e ludibrio, perseguiram os desobedientes, formularam vãs promessas e, assim, se sustentaram em berço esplêndido, enquanto mantinham a população no sonho de dias melhores.
À maneira da França monárquica e sua Versailles, este país também definiu sua condição de governabilidade, constituindo um “espaço do poder”, uma cidade Potemkin que, localizada num pólo central de irradiação territorial, foi sonhada como um lócus do qual o poder, idealmente, se exerceria mais eficaz e protegido, distante de manifestações desejantes que viessem atrapalhá-lo em sua porta. Uma cidade imponente, bela e estranha, fria e barroca, generosa em seus espaços abertos e homogênea em suas formas, não idealizada para ser ocupada pela multidão, mas para ser tão-somente a própria representação e espaço do poder num país tão grande e múltiplo. Foi nessa cidade que ocorreu o que vou lhe contar.
Depois de muitas lutas e fracassos, e pela primeira vez na história deste país, chegou à presidência um representante que emergiu do anonimato dessa multidão que somos. Conhecido por seu apelido de fábrica e de líder sindical, foi durante anos ridicularizado e sabotado em seus esforços de chegar à presidência, tão frágil e ameaçadora sua pertinência e formação. Em torno dele organizou-se um partido que, em sua origem, foi pólo de convergência e aglutinação de um sem-número de minorias, o que fez dele um poderoso catalisador dos “inconscientes que protestam”, como identificou Guattari em 1982. Esse acontecimento de que lhe falo se deu no dia de sua consagração: o da solenidade da posse.
Vindos de todos os lugares e por todos os meios disponíveis, criando uma colorida, alegre, irreverente e esperançosa massa humana em movimento, os múltiplos fizeram uma grande festa nas ruas não projetadas para eles. Uma festa-presente, em primeiro lugar para si mesmos, mas também para o emocionado novo presidente que, longe de bastar-se da solene distância para agradecer-lhes a alegria, a todo momento tentava, para pânico de seus agitados seguranças, misturar-se com eles, como se resistindo a desligar-se da própria origem. Foi um dia belo, no qual os jornalistas encarregados de registrá-lo repetiram muitas vezes um mesmo bordão: “quebra de protocolo”, da qual o principal agente foi, quase sempre, o próprio novo presidente.
A imagem que lhe envio é exemplar do que ocorreu nesse dia. Esse cavalo que se empina assustado, narinas dilatadas e dentes à mostra e derruba seu cavaleiro todo engalanado pertence, indissociável do cavaleiro, à guarda da presidência. Essa guarda tem uma função simbólica: ela marca a distância entre representante e representados nos atos solenes, estabelecendo a linha de separação e indicando os limites da relação de proximidade entre um e outros. Imponente, majestosa, porta em seu nome o momento em que este país rejeitou, ainda que só formalmente, sua condição de dependência e se declarou autônomo: Dragões da Independência.
Por essa posição simbólica, quando ela passa, encabeçando o desfile solene, a multidão recua, respeitosa, quando não assustada, pois sabe que, por maior seu entusiasmo, ela e aquele que a representa não pertencem ao mesmo campo. Nesse dia de que lhe falo, entretanto, algo se deu: a multidão não se afastou respeitosa e assustada, obediente à designação de seu lugar. Por permanecer, em plena alegria, identificada com seu representante, foi a própria ordem que se assustou, foi ela que se desarticulou, por instantes, no susto do cavalo do Dragão.
Nesse momento, o que se expôs, ainda que brevemente, foi uma fissura nessa relação de forças que faz da alegria e do poder que lhe dá continente esse algo muitas vezes inócuo, no máximo um triste subproduto vendável em seu exotismo: o aparentemente forte é muito frágil quando depende somente do medo e da obediência daqueles que ele sujeita. A força de uma representação pouco pode perante o grito da multidão, seja ele de dor ou de alegria.
O acontecimento que lhe relato não teve maiores conseqüências. A mídia, que reina soberana na produção dos enunciados que consumimos à exaustão, tratou-o como mais um entre os tantos fait divers identificados como “quebra de protocolo” de um dia relativamente tranqüilo e festivo. Não houve, que eu saiba, quaisquer ações agressivas em relação à incansável multidão em festa.
Passados mais de seis meses desse acontecimento, para alguns dos esperançosos festeiros o entusiasmo já arrefece; aos aduladores do novo poder, face às previsíveis dificuldades do presidente na gestão do país, resta, após uma trégua vigilante, o odioso retorno aos ataques, agora como oposição. O presidente, tão feliz naquele dia, surge às vezes com o rosto cansado, a expressão inquieta, embora mantendo sua esperançosa emotividade. Talvez esteja descobrindo que “tomar” o poder não implica maior potência para alterar as coisas do mundo. Há algo, entretanto, que permanece vivo em nós e se reaviva perante essa foto que eterniza o susto do cavalo do Dragão: a força e a alegria da multidão, plena de esperança, ocupando aquelas ruas não imaginadas para ela. Uma esperança sem medo e uma alegria manifestando-se como pura expressão de uma potência que é, como você nos ensina, a única capaz de mudar o mundo.
Com afeto
***
[Este texto, formulado como uma carta ao filósofo Espinosa, foi publicado em versão reduzida, com o título A esquerda e o susto do cavalo do Dragão, na revista Glob[al] no. 1, 2003. Rede Universidade Nômade. (ver revistaglobal.multiply.com)]
[A foto que registra o momento da queda do cavalo do dragão é de
Brígida Rodrigues. Jornalista e fotógrafa, editora de imagens da revista Líbero no período de 2002-2003, do programa de pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero (SP), atualmente editora de conteúdo do site www.brimagens.com.br]
***
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Pólo Spark de Artes na UFPI

Nesta terça (23), no auditório da UFPI/CSHNB, ás 09:00hs, haverá a exibição do documentário Vinícius, de Miguel Farias Jr., um longa com algumas partes ficcionadas por excelentes actores. Uma Camila Morgado desconhecida e referência futura. Depoimentos do Chico, Caetano, Gil, Bethânia. Atuações da Calcanhoto além de outras que rememoram o tal Vinícius poeta. Duas horas de génio, música, mulheres e umas doses para sarar a sobriedade.
E nesta quarta (24), também no auditório da UFPI/CSHNB, às 09:00hs será exibido o longa-metragem "Santiago", descrito na postagem anterior.

A todos, boa exibiçao!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
SANTIAGO

de João Moreira Salles
É um documentário que mistura fantasia e realidade para contar a história do mordomo Santiago Badariotti Merlo, que dedicou sua vida a servir a aristocracia, apesar de ser viajado, poliglota, dono de uma cultura extraordinária e vindo de origem humilde.
Santiago é o nome do filme e do personagem. Durante 30 anos, Santiago foi mordomo da família de Salles, uma família muito rica, culta e influente, como fica claro no filme. Santiago trabalhou na casa da Gávea, onde João Salles morou até os 20 anos e que hoje abriga o Instituto Moreira Salles, um centro de referência para a música e para a fotografia no Rio de Janeiro.
Em 1992, o realizador percebeu a singularidade do homem que viria a ser seu personagem no filme. Já aposentado, Santiago mora em um pequeno apartamento do Leblon, no Rio de Janeiro.
Apesar do personagem, João Salles abandona o filme em 1992. Quando cometido por uma crise pessoal e profissional, resolveu retornar às suas memórias de infância, à família, à casa e, conseqüentemente, ao mordomo. Reviu todo o material que registrara e retoma o filme em 2005 e agora, é ele próprio que vira personagem. Narrado em primeira pessoa, na voz do irmão, Fernando Moreira Salles, o processo do filme passa a fazer parte dele e aparece, sobretudo, como uma autocrítica ao seu modo de conduzir o filme em 1992 e ao fato de na época não ter percebido a relação de poder ali presente. Ao poder do documentarista se somava o poder do filho do patrão.
Fundamentalmente o procedimento do filme hoje é esse; a claquete está presente, a fala de Salles antes do comando de “ação”, os retakes, o off. Através da presença do que normalmente é eliminado na montagem de um filme, reconhecemos os pontos que perturbam Salles hoje; a direção das falas, textos, gestos e o excesso de zelo estético na composição dos quadros e no trabalho da fotografia.
"Santiago" não seria um filme sobre Santiago, e sim sobre como o cineasta não entendeu o mordomo durante aqueles cinco dias que esteve com ele fazendo suas entrevistas, usando-se de artifícios de montagem, som e repetição para dizer o que bem desejasse.
Nas entrevistas, não queria ouvir o que Santiago tinha a dizer. Queria que ele dissesse o que queria ouvir, que ele se parecesse com o Santiago da sua infância, com o seu Santiago. Daí as ordens, os planos repetidos. Essa relação de patrão e empregado é também uma alegoria do que acontece em todo filme, entre o documentarista e o seu objeto. É preciso ter consciência disso, mesmo quando se filma o presidente, a palavra final sempre será de quem está com a câmera na mão.
23 de outubro de 2010 (sábado),
às 19hs,
No SENAC de Picos, rua Marcos Parente, 570 - Centro.

Boa exibição!
ARTIGOS RELACIONADOS:
http://www.overmundo.com.br/overblog/o-filme-e-o-filme-de-joao-moreira-salles
SANTIAGO

de João Moreira Salles
É um documentário que mistura fantasia e realidade para contar a história do mordomo Santiago Badariotti Merlo, que dedicou sua vida a servir a aristocracia, apesar de ser viajado, poliglota, dono de uma cultura extraordinária e vindo de origem humilde.
Santiago é o nome do filme e do personagem. Durante 30 anos, Santiago foi mordomo da família de Salles, uma família muito rica, culta e influente, como fica claro no filme. Santiago trabalhou na casa da Gávea, onde João Salles morou até os 20 anos e que hoje abriga o Instituto Moreira Salles, um centro de referência para a música e para a fotografia no Rio de Janeiro.
Em 1992, o realizador percebeu a singularidade do homem que viria a ser seu personagem no filme. Já aposentado, Santiago mora em um pequeno apartamento do Leblon, no Rio de Janeiro.
Apesar do personagem, João Salles abandona o filme em 1992. Quando cometido por uma crise pessoal e profissional, resolveu retornar às suas memórias de infância, à família, à casa e, conseqüentemente, ao mordomo. Reviu todo o material que registrara e retoma o filme em 2005 e agora, é ele próprio que vira personagem. Narrado em primeira pessoa, na voz do irmão, Fernando Moreira Salles, o processo do filme passa a fazer parte dele e aparece, sobretudo, como uma autocrítica ao seu modo de conduzir o filme em 1992 e ao fato de na época não ter percebido a relação de poder ali presente. Ao poder do documentarista se somava o poder do filho do patrão.
Fundamentalmente o procedimento do filme hoje é esse; a claquete está presente, a fala de Salles antes do comando de “ação”, os retakes, o off. Através da presença do que normalmente é eliminado na montagem de um filme, reconhecemos os pontos que perturbam Salles hoje; a direção das falas, textos, gestos e o excesso de zelo estético na composição dos quadros e no trabalho da fotografia.
"Santiago" não seria um filme sobre Santiago, e sim sobre como o cineasta não entendeu o mordomo durante aqueles cinco dias que esteve com ele fazendo suas entrevistas, usando-se de artifícios de montagem, som e repetição para dizer o que bem desejasse.
Nas entrevistas, não queria ouvir o que Santiago tinha a dizer. Queria que ele dissesse o que queria ouvir, que ele se parecesse com o Santiago da sua infância, com o seu Santiago. Daí as ordens, os planos repetidos. Essa relação de patrão e empregado é também uma alegoria do que acontece em todo filme, entre o documentarista e o seu objeto. É preciso ter consciência disso, mesmo quando se filma o presidente, a palavra final sempre será de quem está com a câmera na mão.
23 de outubro de 2010 (sábado),
às 19hs,
No SENAC de Picos, rua Marcos Parente, 570 - Centro.

Boa exibição!
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Representantes Estudantis da UFPI de Picos reúnem-se
Nessa sexta (08.10), é marcada reunião convocando todos os membros representantes estudantis da UFPI – Campus Senador Helvídio Nunes de Barros, para discursão de assuntos pertinentes as más condições de infraestrutura técnica e física do campus para atender os nove cursos que a mesma sedia, além do agendamento de Assembleia Geral.
Os estudantes irão pautar problemas que calejam as suas possibilidades de estudo, pesquisa e extensão, que vão desde, falta de laboratórios para alguns cursos, até deficiências em infraestruturas, como segurança, biblioteca e auditório que não atendem as necessidades exigidas, inexistência de quadra poliesportiva para prática de esporte, sobrecarga de docentes, que gera uma carência de incitação de projetos de pesquisa e extensão, entre outros assuntos que serão abordados.
A universidade e sua função por instituição, como já previa Anísio Teixeira, definem rumos incríveis para a sociedade, seu encontro com o desenvolvimento local e universal, são de inúmeros pontos progressivos para seus vetores e receptores. Portanto, o seus membros, acadêmicos, pesquisadores, estudantes, professores e gestores, devem trabalhar numa só direção, a de incitar o desenvolvimento, científico, educacional e cultural da sociedade, quando isso não é rumo, foco, alvo, não se têm universidade, se têm indústria de “profissionais” raquíticos e mal intencionados à procura de algo que nem eles mesmos sabem o que é!
Educação, Sociedade e Cultura, são como café da manhã, ou os tomamos diariamente com todo vigor que nos há, ou, tornamo-nos fracos para pensar e agir.
A reunião será no Pátio Principal da UFPI, às 17:00hs, aberto para toda Classe Acadêmica.
Robson Ferraz
Picos – 2010
Primavera
Os estudantes irão pautar problemas que calejam as suas possibilidades de estudo, pesquisa e extensão, que vão desde, falta de laboratórios para alguns cursos, até deficiências em infraestruturas, como segurança, biblioteca e auditório que não atendem as necessidades exigidas, inexistência de quadra poliesportiva para prática de esporte, sobrecarga de docentes, que gera uma carência de incitação de projetos de pesquisa e extensão, entre outros assuntos que serão abordados.
A universidade e sua função por instituição, como já previa Anísio Teixeira, definem rumos incríveis para a sociedade, seu encontro com o desenvolvimento local e universal, são de inúmeros pontos progressivos para seus vetores e receptores. Portanto, o seus membros, acadêmicos, pesquisadores, estudantes, professores e gestores, devem trabalhar numa só direção, a de incitar o desenvolvimento, científico, educacional e cultural da sociedade, quando isso não é rumo, foco, alvo, não se têm universidade, se têm indústria de “profissionais” raquíticos e mal intencionados à procura de algo que nem eles mesmos sabem o que é!
Educação, Sociedade e Cultura, são como café da manhã, ou os tomamos diariamente com todo vigor que nos há, ou, tornamo-nos fracos para pensar e agir.
A reunião será no Pátio Principal da UFPI, às 17:00hs, aberto para toda Classe Acadêmica.
Robson Ferraz
Picos – 2010
Primavera
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
MANIFESTO

Pelas condições de plena autonomia e constitucionalidade institucional da universidade, que se consideram suas ratificações com relação aos processos e metodologias de Pesquisa, Ensino e Extensão, além de concorrer aos seus membros (acadêmicos), aspectos de produção bibliográfica, pesquisa, participação cooperante nos rumos da sociedade e comunidade acadêmica pelos seus planejamentos e colaboração efetiva nas atividades práticas da mesma.
Contudo, as possibilidades que seus membros têm de tomar decisões importantes e de trabalharem para a construção de um campus acadêmico, de fato, democrático, produtivo e consequentemente influente no processo de desenvolvimento social, é podado, quando essa estrutura fragmentada não supre as necessidades de sobrevivência e vitalidade dos ritmos de estudo e produção de seus acadêmicos.
A superação de um ensino precário e de uma infraestrutura recalcada e falecida, parte de investimentos rápidos em melhores condições para ensino e pesquisa, logo, com esses dois pilares importantíssimos para as relações construídas na universidade, poderão sim, pensar nas relações com a comunidade externa, e suprir simultaneamente suas necessidades por projetos que incitem a educação, cultura, ciência e lazer. Os projetos de extensão são reflexos de um bom ensino, confiabilidade e resultados das pesquisas internas, ora, pois devem ser incitados e articulados pelos gestores e colaboradores da instituição, e se não são como deveria, os seus membros acadêmicos e seus representantes, ora, farão esse papel. No entanto, a relação entre instituição e seus mediadores, a cada dia é mais corrompida. Observa-se uma relevante participação dos docentes na construção, planejamento e orientação no desenvolvimento de projetos extensivos e de pesquisas, ainda que se comprometam, suas participações nas atividades práticas são medíocres e insuficientes muitas vezes. Ora, essa inatividade é amplamente entendida, pois, quando se sobrecarrega os docentes, mesmo quando esses se incluem na construção prática de alguma atividade, de fato, desrespeita-se a comunidade acadêmica e suas atividades, implicando na fragmentação de seu poder de desenvolvimento comunitário e social, quando priva o docente a uma sala de aula fechada e seus livros convidativos em suas escrivaninhas, mais não criam possibilidades de simples redução de carga horária dos docentes que colaborem em atividades práticas extensivas para a comunidade externa.
As produções bibliográficas, pesquisas, projetos extensivos e qual quer outra atividade que incitem o desenvolvimento teórico e prático científico dos membros de uma comunidade acadêmica, são as contrapartidas da instituição, que se faz e é de fato autônomo, para a sociedade que por indutiva confiabilidade, lhe obteve o papel de trabalhar para determinado fim: a transformação por meio da contribuição crítico racional, fundamentada em discursões e práticas que os conduzem a possíveis soluções dos problemas e pobreza das demais instituições sociais. Logo, corromper as possibilidades da universidade de intervir na construção de uma sociedade digna e consciente de sua função na manutenção do meio e todo social, nos permite dizer que atrofiaram a circulação funcional de tal instituição e aboliram sua alma autônoma. Para se participar efetivamente de uma academia, de fato, produtiva, quantitativamente e qualitativamente, requer um grande esforço de seus membros consciente dessa amarga e real nocividade que nos medeia. Ora, se não, cairemos no sucateamento do processo de ensino superior, o que acontece aos poucos no nosso campus, com salas lotadas, altas demandas de discentes para péssimas condições de infraestruturas, que vão desde laboratório de informática abandonado, segurança precária do campus, quando esses não têm sequer rádio para comunicação interna, falta de sinalização do estacionamento e acesso ao campus, inacessibilidade para cadeirantes, discentes com capacidades educacionais especiais, pobreza no número de títulos do acervo bibliográfico e deficiência na infraestrutura da biblioteca que é insuficiente para a quantidade de discentes que a frequentam, além de uma série de outras ineficiências que se ramificaram com o passar do tempo como telhas de aranha pelo campus Senador Helvídio Nunes de Barros.
É com insatisfação, no entanto motivado de que construiremos debates para a melhoria dos problemas observados, e que serão enviadas todas as reivindicações dos membros da comunidade acadêmica aos gestores e reitoria dos campi. Logo, desde já, convoco membros dos grupos de representação estudantil, como os Centros Acadêmicos de todos os cursos, Diretório Central dos Estudantes, membros dos colegiados e representantes estudantis dos conselhos internos, afim de, convocarmos uma assembleia geral para a construção de tal documento que será enviado a reitoria da Universidade Federal do Piauí em Teresina.
Robson Ferraz
Picos
05 de novembro de 2010.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
LADRÕES DE BICICLETA - neste sábado, no SENAC - PICOS às 19:00hs
“Ladrões de Bicicleta”, de Vittorio De Sica (1948), um dos clássicos do cinema neorealista italiano, possui uma trama narrativa singela: um desempregado, Antonio Ricci, consegue uma vaga de emprego como colador de cartazes. Mas a exigência para a obtenção da vaga é possuir uma bicicleta. Ricci a possui, mas ela está empenhada. Maria, sua mulher, decide empenhar os lençóis da cama e retira, na mesma loja de penhores, a bicicleta. Antonio Ricci consegue o emprego e começa a trabalhar numa manhã de sábado. Entretanto, enquanto colava cartazes, Ricci tem a sua bicicleta roubada. Desesperado, ele tenta encontrá-la com a ajuda do filho Bruno. Ele busca apoio da policia e dos amigos. Mas é procurando por conta própria, ao lado de Bruno, que Antonio Ricci se encontrará imerso numa experiência de dor e angústia com a perda do meio de trabalho.
“Ladrões de Bicicleta” trata da condição de proletariedade extrema. É o caso de Antonio Ricci, desempregado há anos (talvez há cerca de três anos, isto é, desde o final da Segunda Guerra Mundial em 1945). Na abertura do filme De Sica expõe o drama social do desemprego de longa duração que atinge larga parcela do proletariado italiano no pós-guerra. A Itália é um país capitalista de economia desestruturada pela derrota na guerra mundial. Não há geração de vagas de trabalho e um amplo contingente está imerso na pobreza. É o que consideramos uma situação de proletariedade extrema.
No SENAC - PICOS, às 19:00hs
Rua Marcos Parente, 570 - Centro
ENTRADA FRANCA

“Ladrões de Bicicleta” trata da condição de proletariedade extrema. É o caso de Antonio Ricci, desempregado há anos (talvez há cerca de três anos, isto é, desde o final da Segunda Guerra Mundial em 1945). Na abertura do filme De Sica expõe o drama social do desemprego de longa duração que atinge larga parcela do proletariado italiano no pós-guerra. A Itália é um país capitalista de economia desestruturada pela derrota na guerra mundial. Não há geração de vagas de trabalho e um amplo contingente está imerso na pobreza. É o que consideramos uma situação de proletariedade extrema.
No SENAC - PICOS, às 19:00hs
Rua Marcos Parente, 570 - Centro
ENTRADA FRANCA
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O que melhora a vida dos indivíduos sociais?

(Policiais da cidade de Picos-PI em expediênte. Foto: R. Ferraz)
As relações sociais sempre foram os reflexos do contexto histórico aos quais tais indivíduos estiveram inseridos, e preocupar-se com esses reflexos é modificar as condições existentes, mudando os hábitos e os costumes cravados em nossa acomodação e dispersão, atentando para o quanto nossas vidas podem melhorar com pequenas coisas que fazem diferença no cotidiano, coisas como gentileza, dedicação em nosso trabalho e no que fazemos naturalmente, solidariedade, seriedade, alegria, e tudo aquilo que nos surge na cabeça que não fere nem turva nossa humanidade pessoal e coletiva.
Atentamos ainda para as condições existentes e que contribuem para tais relações. Viver numa sociedade, por exemplo, com as regras estabelecidas pela legislação vigente e perceber que não há um consenso ao obedecer a essas regras, gera uma desordem que fere o coletivo social, e perturba os indivíduos, gerando num ciclo ininterrupto um descontrole que atrapalha diretamente nas boas condições, saudáveis e valorosas de sobreviver numa sociedade.

(Fiscal de Trânsito da cidade de Picos - PI em expediênte. Foto: R. Ferraz)
Para se evitar tais conflitos, é necessária uma dedicação unânime dos indivíduos sociais, na unificação de sua boa vontade, dos gestores governamentais na melhoria direta das condições de vida da população, tirando dela o gosto amargo da desordem que causa o desafeto e a desmotivação nas relações. Portanto, coisas como cidade limpa, melhores condições para o trânsito de automóveis, motocicletas, bicicletas e pedestres, descongestionamento das vias onde há comércio de feirantes e ambulantes, alternativas de lazer e cultura que sejam acessíveis e comuns para todas as comunidades e localidades, descentralização dos focos de acesso ao capital econômico, tais como possibilitar alternativas de trabalho nas localidades distante do centro urbano, e alternativas de trabalhos com a comunidade periférica inserindo-a nas condições de labuta que suas próprias condições e meios permitam.
Para se discutir os problemas sociais e solucioná-los, são indispensáveis discussões intensas e em médio prazo, abrindo espaço para as comunidades observarem e falar de sua realidade e possibilidades de soluções para essas condições, posteriormente, discussões a nível social, onde a sociedade compõe, observa e busca junto a partir da realidade, soluções para suas dificuldades e riscos sociais. Por fim, a junção de todos que pensam cotidianamente numa vida melhor em diversos aspectos para si e para seus filhos, pois são essas vontades, que leva-nos as boas relações e concomitantemente à uma sociedade cada vez mais justa e própria para viver. Logo, Educação, Cultura e Sociedade, são como café da manhã, ou tomamos diariamente com todo vigor que nos há, ou enfraquecemo-nos ao agir e pensar.

(Avenida de Picos - PI, ao lado feira-livre. Foto: R. Ferraz)
Robson Ferraz
Picos – 2010
Inverno
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Educação, Sociedade e Cultura
(Entrada da UFPI - CSHNB, Picos, PI - Foto: R. Ferraz)O estado do Piauí, como um dos estados brasileiros que mais sofrem pela má qualidade da educação básica, precariedade nos investimentos públicos direcionados à melhoria das condições dos discentes quando refere-se à sobrecarga de horas, disciplinas, sucateamento das unidades de ensino e principalmente ineficácia na atenção à juventude, quando essa – nossos representantes no futuro - é quem deveria ter mais atenção. Logo, é evidente que se quer pensar em melhores condições para todos num futuro – presente –, é imprescindível que se comece agir no nosso tempo, e as condições e possibilidades cada vez mais ausentes devem ser incitadas, para que nossos jovens não cresçam com o pessimismo presente nas primeiras páginas dos jornais diários, quando se fala em educação.
A Universidade Federal do Piauí, com seus cinco campi distribuídos pelas regiões do estado, seus cerca de dezesseis mil discentes, e mais de mil docentes que compõe a comunidade acadêmica, com seu papel de extrema importância para a formação de profissionais da área de educação, realizações de pesquisas e projetos, além duma esfera científica de notória credibilidade no país e no exterior. Percebem-se melhorias como um todo, com relação ao desenvolvimento de novas áreas de pesquisa, avanços nas áreas de graduação, investimentos na área de pós-graduação para a melhoria das condições de acesso e estudo de seus graduados, pela especialização, mestrado e posteriores, principalmente por engrenar esses profissionais em suas áreas de conhecimento.
Há ainda, porém, uma grande carência de projetos extensivos, melhorias das instalações dos campi sediados no interior do estado, mobilizações por parte da comunidade acadêmica como fórum participante das decisões dos conselhos, até para projetarem juntos, realizações que contemplem os campi mais carentes, além de possibilitar uma academia de fato comunitária, onde se concretize um laço que a una com a comunidade na qual está inserida. Observam-se além desses fatores, um afastamento entre discentes e conselhos, quando não se sabe quais as pautas, projetos, decisões, enfim, as ações deliberadas nesses conselhos, por serem asilados sem nenhum meio de divulgação, sendo que essas mesmas influenciam diretamente na vida acadêmica dos envolvidos (discentes e docentes), pois decidem por pesquisa, ensino e extensão da universidade.
Atentar entre muitos problemas que dificultam os processos de formação dos seus discentes, pois, quando se trata de universidade, precisa-se pensar, ora, no contato sem pudores entre indivíduos, e nessas relações gerar o que chamaríamos de solidariedade comum, onde entender as problemáticas sociais presentes nas classes populares, nas famílias, com relação à saúde, infra-estrutura básica, educação, arte, e em contrapartida, aproveitar essas observações para a criação de projetos que caracterizem as áreas de pesquisa da academia e as necessidades dessas comunidades.
Universidade, sinônimo de construção científica entre faculdades específicas, logo, conjunto de áreas específicas que se torna um todo multidisciplinar, portanto, com papel de fundamentar atividades por práxis, pois sua condição de autonomia e universalidade permite-lhe densas possibilidades de alcance as trajetórias sociais e interpessoais. E o meio que torna esse alcance eficaz, são seus membros, que devem está presentes nas contendas e decisões da unidade acadêmica. Logo, impossibilitar o acesso de seus colaboradores nos conselhos deliberativos, é ferir o ato de autonomia legal que lhes é benquisto a partir do momento em que tornam-se membros de tal universidade. Educação, sociedade e cultura, é igual café da manhã, ou tomamos diariamente com todo vigor que nos há, ou tornamo-nos fracos em nossos dias, uma fraqueza para agir e pensar.
Robson Ferraz
Picos – 2010
Inverno

(Modelo de Portico em construção na UFPI - CMPP, Teresina, PI - Versão 3D)
domingo, 11 de julho de 2010
Casimira Quietinha

A partir de fragmentos da cultura popular nordestina, relativo à literatura de cordel, figuras de expressividade, músicas e oralidade, cinco atores, transformam a obra literária do autor piauiense Waldívio Siso, numa história ainda mais viva, com sua perspectiva de relação entre público e expressão, tornando as pessoas que à vê, não mais espectadores, mas, protagonistas duma história viva.
Casimira (Íris Alves) é uma típica mocinha do interior, com seus costumes e valores, que com seu jeitinho, encanta Beijamim (Edino Rocha), um jovem que se apaixona perdidamente, mesmo sabendo que Zé Morão (Ramon Souza), o pai de Casimira, é um cabra arretado que com seu rifle vai mostrar para o conquistador que não se bole com filha de caçador, mas o Seu Delegado (Thierry Lima) vai está lá para apartar esse emboleiro, que só Deus e o Contador de Histórias (Amós Santiago) saberão onde vai dar.
Movimento Aliança de Teatro
O M.A.T., surgiu como um grupo de estudos da Casa Aliança, uma entidade filantrópica, que mantém cursos e atividades para crianças e adolescentes da comunidade Parque de Exposição, da cidade de Picos, sem cobrar nada por isso.
A casa é mantida por sócios e voluntários que colaboram para seu funcionamento, contando até mesmo com alunos da casa que hoje se predispõem à trabalhar junto pela causa social, ensinando e aprendendo com sua própria comunidade e motivando outros a se interessarem por diversas linguagens artísticas, esportes, cultura, e a partir dessas experiências cultivarem uma vida melhor.
A casa é mantida por sócios e voluntários que colaboram para seu funcionamento, contando até mesmo com alunos da casa que hoje se predispõem à trabalhar junto pela causa social, ensinando e aprendendo com sua própria comunidade e motivando outros a se interessarem por diversas linguagens artísticas, esportes, cultura, e a partir dessas experiências cultivarem uma vida melhor.



